Indígenas Guarani Kaiowá denunciam suposto envenenamento de água após eleições

Indígenas Guarani Kaiowá denunciam suposto envenenamento de água após eleições

Lideranças Guarani Kaiowá, em Mato Grosso do Sul, denunciaram um suposto envenenamento da água em seu território após o resultado das eleições presidenciais. A acusação foi divulgada nesta terça-feira (27) pela deputada federal Célia Xakriabá (Psol) e também apresentada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). O caso foi encaminhado a órgãos públicos para investigação.

A denúncia foi publicada na editoria de Direitos Humanos da Agência Brasil. Segundo a parlamentar, lideranças locais afirmaram ter sido vítimas da ação e relataram a circulação de um áudio em aplicativo de mensagens.

Áudio teria ameaça contra a comunidade

De acordo com Célia Xakriabá, uma pessoa ouvida no áudio teria defendido que era preciso “matar essas praga [sic] pela água”. A gravação integra os elementos apresentados pelas lideranças e deverá ser analisada pelas autoridades responsáveis pela apuração.

Indígenas Guarani Kaiowá denunciam suposto envenenamento de água após eleições
© Elio Rizzo/Agência Câmara

Comunidade enfrenta falta de água potável

A deputada ressaltou que os Guarani Kaiowá de Mato Grosso do Sul já enfrentam dificuldades para ter acesso à água potável. Em algumas localidades, os moradores dependem do abastecimento feito por caminhões-pipa, o que aumenta a gravidade de qualquer suspeita de contaminação do recurso.

Segundo a parlamentar, a eventual contaminação da água poderia colocar em risco a saúde e a vida da população indígena, além de agravar uma situação de vulnerabilidade que já afeta as comunidades.

Denúncia é encaminhada a órgãos públicos

O caso foi enviado aos ministérios da Justiça e Segurança Pública e dos Povos Indígenas, ao Ministério Público Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral. A inclusão do TSE ocorreu porque a denúncia relaciona os episódios ao resultado das eleições presidenciais.

São Paulo (SP) 24/09/2026 - O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) , durante demonstração para a imprensa do fluxo de votação das Eleições 2026. Além de uma apresentação sobre o chamado “derrame de santinhos” e o novo provimento da Corregedoria do Tribunal que disciplina a fiscalização e a repressão desse crime eleitoral. O evento realizado na sede do TRE-SP. Urna Eletrônica . Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
São Paulo (SP) 24/09/2026 – O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) , durante demonstração para a imprensa do fluxo de votação das Eleições 2026. Além de uma apresentação sobre o chamado “derrame de santinhos” e o novo provimento da Corregedoria do Tribunal que disciplina a fiscalização e a repressão desse crime eleitoral. O evento realizado na sede do TRE-SP. Urna Eletrônica . Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Em nota conjunta, os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Cidadania e da Igualdade Racial também solicitaram a investigação. As pastas informaram ainda que estão acompanhando denúncias de violência contra comunidades quilombolas e povos de terreiro após o segundo turno das eleições.

Órgãos devem apurar responsabilidades

A investigação deverá verificar a autenticidade do áudio, as circunstâncias da suposta contaminação e a eventual participação de responsáveis. Até o momento, o conteúdo divulgado registra uma denúncia apresentada por lideranças indígenas e autoridades, sem conclusão oficial sobre a ocorrência do crime.

A Agência Brasil também publicou informações sobre a garantia de transporte para indígenas e quilombolas durante o processo eleitoral: Eleições: indígenas e quilombolas têm transporte garantido.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br