Justiça proíbe deputada do Rio de incentivar demissão de trabalhadores por posição política

Justiça proíbe deputada do Rio de incentivar demissão de trabalhadores por posição política

A Justiça do Trabalho determinou, em decisão liminar, que a deputada estadual do Rio de Janeiro India Armelau (PL) se abstenha de promover atos que incentivem empregadores a discriminar, demitir ou perseguir trabalhadores por causa de suas convicções políticas. A decisão atende parcialmente a um pedido do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ).

A parlamentar está em seu segundo mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ela foi a deputada estadual mais votada no estado, com mais de 248 mil votos. Na eleição de 2022, quando conquistou o primeiro mandato, havia recebido mais de 57 mil votos.

Publicação motivou ação do Ministério Público

A ação foi motivada por uma publicação feita pela deputada nas redes sociais, onde reúne cerca de 1 milhão de seguidores. Na mensagem, India Armelau escreveu: “Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez o ‘L’. Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários”.

Justiça proíbe deputada do Rio de incentivar demissão de trabalhadores por posição política
© Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro/Divulgação

Para a Justiça, o conteúdo poderia estimular práticas de perseguição ou discriminação no ambiente de trabalho em razão de posicionamentos políticos. O juiz do Trabalho Leonardo Saggese Fonseca afirmou que, por ser integrante do Parlamento, a deputada deve ter atenção especial ao impacto de suas manifestações.

Na decisão, o magistrado ressaltou que a liberdade de expressão deve ser exercida de forma respeitosa e compatível com a democracia. Também destacou que a parlamentar deve aceitar as diferentes opções políticas de cidadãos e trabalhadores, evitando discursos que possam produzir sentimentos de ódio, perseguição ou discriminação.

Determinação inclui retirada das publicações

Além de impedir novas manifestações que incentivem a discriminação política no trabalho, a liminar determinou que India Armelau remova as comunicações e publicações que deram origem à ação civil pública. A medida alcança os locais em que o conteúdo foi divulgado, incluindo sites, perfis em redes sociais e aplicativos de mensagens.

A deputada terá 48 horas para cumprir a ordem. Em caso de descumprimento, será aplicada multa diária de R$ 5 mil a partir do primeiro dia útil seguinte ao fim do prazo.

PF apura irregularidades em contratos no Rio de Janeiro 2ª fase da Operação Castratio investiga superfaturamento, direcionamento e fraude à licitação em contratos firmados entre o Governo do Rio de Janeiro e uma empresa privada; soma da contratação chega a cerca de R$ 200 milhões Foto: Polícia Federal/Divulgação
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Deputada afirma que foi mal interpretada

Em nota publicada nas redes sociais, India Armelau afirmou que jamais teve preconceito contra qualquer pessoa. Segundo ela, como empresária, sempre conviveu com a diversidade ideológica e defende o respeito integral às opções políticas dos trabalhadores.

A parlamentar disse, porém, que se preocupa com situações que possam representar sabotagem às empresas ou quebra da confiança entre empregadores e empregados, em desacordo com a missão, os valores e os objetivos de uma organização.

Na manifestação, India Armelau classificou o episódio como resultado de um equívoco de interpretação. De acordo com a deputada, o comentário foi feito a partir da replicação de uma publicação de terceiros em outra rede social e não representava orientação ou incentivo para contratações e demissões baseadas em convicções políticas.

São Paulo (SP), 19/10/2026 - Deputado Estadual Marcelo Aguiar. Foto: Alesp/Divulgação
São Paulo (SP), 19/10/2026 – Deputado Estadual Marcelo Aguiar. Foto: Alesp/Divulgação

A defesa afirmou ainda que a deputada apoia relações equilibradas e a pacificação social entre capital e trabalho. Ao perceber que suas palavras haviam sido mal interpretadas, ela disse ter apagado imediatamente os stories e as postagens relacionadas para evitar uso indevido do conteúdo e novos tensionamentos sobre o tema.

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A cobertura de Justiça da Agência Brasil também reúne informações sobre outros casos envolvendo autoridades do estado, como um deputado do Rio que voltou a ser alvo da Polícia Federal por suspeita de fraudes e a detenção do deputado estadual Marcelo Aguiar após um disparo em um bar.

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Entre os destaques da EBC estão a reportagem da Radioagência sobre o registro de 34 mil votos pelo TSE após as 17h no segundo turno, a programação das Rádios EBC e o conteúdo da TV Brasil sobre a investigação da PF envolvendo a São Roque Prev e o Banco Master.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br