Dólar fecha a R$ 5,446 e tem maior alta semanal desde 2008; Ibovespa cai 18,12%

Dólar fecha a R$ 5,446 e tem maior alta semanal desde 2008; Ibovespa cai 18,12%

O mercado financeiro brasileiro encerrou outubro sob forte pressão, com alta expressiva do dólar e queda acentuada da bolsa de valores. Nesta sexta-feira (30), a moeda estadunidense avançou 1,09% e fechou a R$ 5,446, enquanto o Ibovespa recuou 0,75%, aos 167.921,80 pontos.

Na semana, o dólar acumulou valorização de 9,15%, o maior avanço semanal desde outubro de 2008, durante a crise financeira internacional. O principal índice da B3 caiu 18,12% no mesmo período, no pior resultado desde março de 2020, quando os mercados foram afetados pelo início da pandemia de covid-19.

O desempenho dos ativos foi influenciado, no cenário doméstico, pelos ajustes dos investidores após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelas incertezas em torno da política fiscal brasileira. No exterior, a queda das ações de empresas de tecnologia e de inteligência artificial também pressionou o dólar e as bolsas.

Dólar atinge maior fechamento do ano

O dólar comercial chegou a R$ 5,463 durante a sessão, por volta das 16h, antes de reduzir parte dos ganhos. O fechamento a R$ 5,446 foi o maior de 2026. Em outubro, a moeda acumulou alta de 5,27% e passou a registrar valorização de 0,81% no ano.

Parte da volatilidade observada na primeira metade do pregão esteve relacionada à formação da Ptax de fim de mês. Calculada pelo Banco Central, a taxa é usada como referência para a liquidação de contratos futuros de câmbio.

A pressão sobre o real também refletiu a reavaliação das posições dos investidores após o resultado eleitoral. O mercado aguardava a definição da equipe econômica do próximo governo e a apresentação de medidas relacionadas às contas públicas, mantendo o foco nos rumos da política fiscal.

A busca por proteção cambial antes do fim de semana prolongado pelo feriado de Finados, na segunda-feira (2), contribuiu para a alta da moeda. No mercado internacional, o dólar voltou a avançar diante de moedas de países emergentes em uma sessão marcada por turbulências envolvendo empresas de tecnologia.

Ibovespa tem pior semana desde o início da pandemia

O Ibovespa encerrou o quinto pregão consecutivo de baixa. A queda semanal de 18,12% foi a maior desde março de 2020, quando o índice recuou 18,88% diante dos impactos iniciais da pandemia de covid-19.

Dólar fecha a R$ 5,446 e tem maior alta semanal desde 2008; Ibovespa cai 18,12%
© REUTERS/Willy Kurniawan/ Proibido reprodução

O resultado mensal também foi negativo. Em outubro, o indicador perdeu 9,88%, no pior desempenho desde junho de 2022, quando havia registrado baixa de 11,5%.

A pressão sobre as ações brasileiras ganhou força após a reeleição de Lula. No primeiro pregão depois do resultado eleitoral, na segunda-feira (26), a queda do índice acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações diante de perdas expressivas.

Ao longo da semana, a saída de recursos estrangeiros ampliou a pressão sobre os ativos. Dados da B3 indicaram retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações nos três primeiros pregões do período.

Cenário internacional aumenta a cautela

Além das incertezas domésticas, os investidores acompanharam um ambiente internacional desfavorável. As preocupações estavam concentradas nas empresas de tecnologia dos Estados Unidos e nas perspectivas para a inflação e os juros globais.

Em Nova York, o índice S&P 500 fechou a sessão em queda de 1,82%, refletindo parte das preocupações relacionadas ao setor de tecnologia e ao comportamento dos mercados internacionais.

Resumo dos indicadores

Dólar à vista: R$ 5,446, com alta de 1,09%; máxima do dia: R$ 5,463; Ibovespa: 167.921,80 pontos, com queda de 0,75%; dólar na semana: alta de 9,15%; Ibovespa na semana: baixa de 18,12%; dólar em outubro: alta de 5,27%; Ibovespa em outubro: queda de 9,88%.

O desempenho dos mercados ao fim de outubro refletiu a combinação entre incertezas sobre a condução da política econômica brasileira e um ambiente externo de maior aversão ao risco. A definição dos próximos passos fiscais e da equipe econômica tende a permanecer no centro da atenção dos investidores.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br