Painel do AdaptaBrasil projeta mudanças de temperatura e chuva no Brasil e na América Latina

Painel do AdaptaBrasil projeta mudanças de temperatura e chuva no Brasil e na América Latina

O governo federal e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) lançaram na terça-feira (3) um painel que permite analisar como as mudanças climáticas podem alterar a temperatura e o regime de chuvas no Brasil e na América Latina nas próximas décadas. A ferramenta integra o AdaptaBrasil, plataforma que reúne indicadores de risco climático para os 5.570 municípios brasileiros.

O sistema considera fatores como ameaças climáticas, exposição e vulnerabilidade. Com essas informações, é possível identificar áreas mais suscetíveis aos impactos do clima e apoiar decisões sobre medidas de adaptação. A iniciativa ocorre em um contexto de preocupação crescente com os efeitos das mudanças climáticas, tema abordado também em estudos sobre a percepção da população e em análises dos impactos sobre a saúde e os biomas brasileiros.

Painel do AdaptaBrasil projeta mudanças de temperatura e chuva no Brasil e na América Latina
© Paulo Pinto/Agência Brasil

Projeções para diferentes níveis de aquecimento

Com o novo painel, o AdaptaBrasil passou a oferecer mapas com projeções de mudanças na temperatura e na precipitação sob quatro níveis de aquecimento global: 1,5°C, 2°C, 3°C e 4°C. Os usuários podem comparar os cenários e observar como as alterações se distribuem geograficamente.

Os indicadores abrangem temperatura e precipitação, incluindo dados relacionados a eventos extremos. Em uma única interface, a ferramenta permite visualizar como as ameaças climáticas podem se comportar à medida que a temperatura média global aumenta.

Adaptação como prioridade do governo

Durante o lançamento, o secretário de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Aloisio Melo, afirmou que o governo federal trabalha para transformar a adaptação às mudanças climáticas em uma agenda prioritária, estratégica e transversal.

Porto Alegre (RS) 30/05/2025 - A TV Brasil apresenta neste sábado (31), às 18h15, o especial “Rio Grande do Sul – Da Tragédia à Reconstrução”, com uma série de cinco reportagens que percorrem as regiões mais afetadas pelas enchentes históricas que atingiram o estado entre 2023 e 2024. Foto: TV Brasil
Porto Alegre (RS) 30/05/2025 – A TV Brasil apresenta neste sábado (31), às 18h15, o especial “Rio Grande do Sul – Da Tragédia à Reconstrução”, com uma série de cinco reportagens que percorrem as regiões mais afetadas pelas enchentes históricas que atingiram o estado entre 2023 e 2024. Foto: TV Brasil

Segundo Melo, a atualização do Plano Clima e a elaboração de um plano de adaptação mais robusto, estruturado em 16 planos setoriais e temáticos, buscam dar concretude a uma agenda considerada fundamental para o desenvolvimento do país. Ele destacou que o processo também envolve o enfrentamento de vulnerabilidades socioeconômicas históricas, agravadas pela intensificação dos efeitos das mudanças climáticas.

Informação para orientar o planejamento

O coordenador-geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Márcio Rojas da Cruz, afirmou que o AdaptaBrasil disponibiliza informações essenciais para o planejamento de medidas de adaptação. Para ele, não é possível preparar respostas adequadas sem compreender como poderá ser o futuro climático.

FOTO DE ARQUIVO - Novas áreas de proteção ambiental no Cerrado e no Pantanal. Reserva de Desenvolvimento Sustentável. Córrego dos Vales do Norte de Minhas Gerais. Foto: ICMbio/Divulgação
FOTO DE ARQUIVO – Novas áreas de proteção ambiental no Cerrado e no Pantanal. Reserva de Desenvolvimento Sustentável. Córrego dos Vales do Norte de Minhas Gerais. Foto: ICMbio/Divulgação

O gerente de soluções da RNP, Christian Miziara, ressaltou que a possibilidade de comparar os níveis de aquecimento facilita a compreensão dos diferentes cenários e de seus impactos potenciais sobre o território.

Para o pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Jean Ometto, as projeções climáticas são centrais para o cálculo de risco e para o planejamento. Ele observou que os dados envolvem incertezas, mas destacou o esforço da ciência para apresentar informações cada vez mais claras, robustas e transparentes.

Novas variáveis serão incorporadas

O pesquisador do INPE Gilvan Sampaio apresentou a ferramenta e explicou que ela está em sua primeira versão, com navegação simplificada. O instituto trabalha para permitir o download de dados climáticos por área e por bioma, ampliando o uso da plataforma por pesquisadores, gestores públicos e pela sociedade.

Mosquitos listrados estão sugando sangue na pele humana. Mosquitos são transmissores da dengue e da malária. A dengue é muito comum durante a estação chuvosa. Foto: witsawat/ Adobe Stock
Mosquitos listrados estão sugando sangue na pele humana. Mosquitos são transmissores da dengue e da malária. A dengue é muito comum durante a estação chuvosa. Foto: witsawat/ Adobe Stock

Entre as variáveis previstas para futuras atualizações estão umidade relativa do ar, vento e radiação. Segundo Sampaio, esses dados poderão atender às necessidades de grupos de pesquisa e de diferentes usuários interessados em compreender os efeitos das mudanças climáticas.

Ferramenta reúne dados para decisões de adaptação

Ao combinar projeções climáticas com informações sobre exposição e vulnerabilidade, o AdaptaBrasil oferece uma base para avaliar riscos em diferentes partes do país. A expectativa é que os dados contribuam para políticas públicas e estratégias de adaptação capazes de considerar as características específicas de municípios, regiões e biomas.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br