Presidente do Banco Central do Paraguai renuncia após crise no Ueno Bank

Presidente do Banco Central do Paraguai renuncia após crise no Ueno Bank

O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, apresentou sua renúncia nesta terça-feira (3), pouco depois de o órgão anunciar o início de um procedimento de resolução para o banco digital Ueno Bank. A medida foi tomada após a identificação de um déficit no índice de solvência da instituição, situação que provocou preocupação entre os clientes e levou muitos deles a procurar agências que estavam fechadas.

Carvallo afirmou que continuará no cargo durante a condução dos procedimentos relacionados ao Ueno. Segundo ele, o afastamento ajudará a reduzir a controvérsia em torno do Banco Central do Paraguai e permitirá que a instituição e a Superintendência de Bancos atuem sem a interferência de disputas políticas e midiáticas.

Clientes aguardam informações sobre os depósitos

A incerteza sobre o futuro do banco levou clientes, incluindo aposentados que recebem pagamentos por meio do Ueno, a se concentrarem diante de agências fechadas. Em Ñemby, nos arredores de Assunção, Manuel Cáceres disse que os correntistas exigiam acesso ao dinheiro depositado na instituição e relatou que muitas pessoas passaram a manhã à espera de respostas.

O Banco Central informou que a Superintendência de Bancos nomeou interventores para verificar a situação patrimonial do Ueno. A autoridade também afirmou que os depositantes terão direito à cobertura prevista na lei de garantia de depósitos, limitada a 75 salários mínimos, valor estimado em cerca de US$ 39 mil. Os pagamentos destinados a aposentados também foram declarados garantidos.

Presidente do Banco Central do Paraguai renuncia após crise no Ueno Bank
© REUTERS/Cesar Olmedo/Proibida reprodução

Investigação criminal e pressão sobre o regulador

Além da pressão sobre o Banco Central, o Ministério Público do Paraguai solicitou a abertura de uma investigação criminal para apurar os acontecimentos envolvendo o Ueno Bank. Carvallo e a autoridade monetária passaram a ser questionados pela forma como supervisionaram a instituição e por possíveis vínculos políticos relacionados ao caso.

A crise coloca à prova a reputação construída pelo Paraguai como um dos destinos emergentes da América do Sul para o capital estrangeiro. O Banco Central, contudo, declarou que o procedimento de resolução tem como objetivo proteger os depositantes e preservar a estabilidade financeira, acrescentando que o episódio é isolado e não representa um problema mais amplo no sistema financeiro do país.

Crescimento do Ueno e suspeitas sobre concessão de crédito

Controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, o Ueno Bank possui aproximadamente 3 milhões de clientes e administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos no Paraguai. A instituição cresceu rapidamente, em trajetória semelhante à de plataformas digitais como Monzo e Nubank.

Eleições no Paraguai - People queue to vote in Paraguay's general elections in Asuncion, Paraguay April 30, 2023. Foto: REUTERS/Agustin Marcarian
Eleições no Paraguai – People queue to vote in Paraguay's general elections in Asuncion, Paraguay April 30, 2023. Foto: REUTERS/Agustin Marcarian

Nos últimos meses, o banco passou a ser alvo de maior escrutínio regulatório por causa de supostas concessões excessivas de crédito a empresas ligadas ao Grupo Vázquez. As preocupações afetaram a percepção dos investidores e pressionaram tanto os títulos em dólares do Ueno com vencimento em 2031 quanto os títulos soberanos paraguaios.

O Grupo Vázquez e o Ueno Bank não responderam imediatamente aos pedidos de comentário feitos pela Reuters. A reportagem teve contribuição adicional de César Olmedo.

Contexto regional

A crise bancária ocorre em um momento de atenção política no Paraguai. Entre os conteúdos relacionados da Agência Brasil, está a reportagem Paraguai vai às urnas para eleições municipais neste domingo.

A notícia foi produzida com informações da Reuters.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br