Operação da PF no TCE-MT apreende carros importados, relógios de luxo e euros; ação ocorreu em MS

Operação da PF no TCE-MT apreende carros importados, relógios de luxo e euros; ação ocorreu em MS

A Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de irregularidades em contratos do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), apreendeu carros importados, relógios de luxo, vinhos e notas de euro. A ação também cumpriu mandados em Campo Grande, Três Lagoas e no estado de São Paulo.

Prisões e afastamentos no TCE-MT

Entre os alvos da operação estão o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, o procurador Grhegory Paiva Pires e outros quatro servidores, que foram presos. A investigação apura possíveis práticas de corrupção e irregularidades relacionadas à suspensão e à liberação de contratos.

Por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), também foram afastados os conselheiros Guilherme Maluf e Alisson Alencar, além do conselheiro aposentado Valter Albano da Silva, que ainda participava da Comissão Permanente de Sustentabilidade da Corte.

Até o momento da publicação, o TCE-MT não havia divulgado um posicionamento público sobre as medidas determinadas pela Justiça e as suspeitas investigadas.

Operação da PF no TCE-MT apreende carros importados, relógios de luxo e euros; ação ocorreu em MS

Saques e movimentações financeiras sob investigação

Segundo a Polícia Federal, as investigações identificaram saques que totalizam R$ 500 mil e são atribuídos ao presidente do TCE-MT. Um dos suspeitos também teria realizado movimentações financeiras de R$ 33 milhões no período de um ano.

A principal linha investigativa aponta que contratos eram suspensos como forma de pressionar fornecedores a pagar propina para que os pagamentos fossem liberados. A PF também apura divergências nos valores pagos a empresas, movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo servidores públicos e saques recorrentes em espécie.

Os investigadores analisam ainda possíveis conexões entre créditos depositados em contas bancárias e retiradas realizadas nas dependências da instituição. Os itens de luxo apreendidos fazem parte do conjunto de bens e valores recolhidos durante o cumprimento das ordens judiciais.

Antecedentes envolvendo o TCE-MS

A operação voltou a chamar atenção para investigações anteriores envolvendo tribunais de contas. Em dezembro de 2022, os conselheiros Iran Coelho, Ronaldo Chadid e Waldir Neves foram afastados do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) durante a Operação Terceirização de Ouro, desdobramento da Operação Mineração de Ouro, da Polícia Federal.

Waldir Neves e Iran Coelho posteriormente retornaram ao cargo por ordem de Alexandre de Moraes: Waldir, em maio de 2025, e Iran, em agosto do mesmo ano. Ronaldo Chadid foi denunciado e se tornou réu por lavagem de dinheiro. Até a publicação da reportagem, o STJ ainda não havia julgado as denúncias relacionadas aos outros dois conselheiros.

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De acordo com as investigações daquele caso, servidores teriam desempenhado papel central na destinação de recursos ilícitos a empresas registradas em nome de pessoas usadas como laranjas. O dinheiro teria sido triangulado para a aquisição de imóveis de luxo em Campo Grande, também colocados em nome de terceiros, antes de retornar aos envolvidos no esquema.

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