Cinco regiões de recifes de corais do Brasil são classificadas como criticamente ameaçadas

Cinco regiões de recifes de corais do Brasil são classificadas como criticamente ameaçadas

Cinco ecorregiões de recifes de corais costeiros do Brasil foram classificadas como criticamente em perigo pela Lista Vermelha de Ecossistemas. O levantamento foi apresentado durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), realizada em Yerevan, na Armênia, e recomenda ações urgentes de proteção para essas áreas.

O estudo integra as iniciativas de Meio Ambiente da Agência Brasil e representa a primeira avaliação global da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) voltada a esses ecossistemas.

Ecorregiões brasileiras sob alerta máximo

Das oito ecorregiões brasileiras analisadas, cinco receberam a classificação Criticamente em Perigo (CR): Parrachos; Atol das Rocas e Fernando de Noronha; Costa dos Corais; Baía de Todos os Santos e Baixo Sul; e Abrolhos.

Cinco regiões de recifes de corais do Brasil são classificadas como criticamente ameaçadas
© Fernando Frazão/Agência Brasil

A categoria indica que as regiões ainda abrigam corais vivos e mantêm características de ecossistemas recifais, mas enfrentam um risco elevado de colapso. A classificação considera fatores como a distribuição dos corais, as restrições geográficas, o grau de degradação e outras condições ambientais.

Calor dos oceanos elevou o nível de risco

A análise comparou as mudanças registradas nos últimos 50 anos com projeções de estresse térmico para as próximas cinco décadas. No período já observado, Parrachos, Costa dos Corais e Atol das Rocas e Fernando de Noronha apresentavam condições compatíveis com a categoria Criticamente em Perigo.

Baía de Todos os Santos e Baixo Sul e Abrolhos, por sua vez, seriam classificados como Em Perigo (EN) com base no histórico das últimas cinco décadas. As cinco ecorregiões alcançaram o nível mais grave após a inclusão das projeções de aumento do estresse térmico, elaboradas a partir de um cenário intermediário do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Tamandaré (PE), 25/10/2023 - O coral-de-fogo (Millepora alcicornis) no recife Pirambu, na APA Costa dos Corais. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Tamandaré (PE), 25/10/2023 – O coral-de-fogo (Millepora alcicornis) no recife Pirambu, na APA Costa dos Corais. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Ondas de calor marinhas estão entre as principais ameaças apontadas pelo levantamento. Eventos de estresse térmico ocorridos em 2019 e 2020 e novamente em 2024 provocaram branqueamento severo e a morte de espécies-chave de corais. Um relatório sobre a mortandade de corais no Nordeste em 2024 já havia registrado os efeitos desse processo.

Pressões humanas agravam a degradação

Além do aquecimento dos oceanos, os recifes sofrem com pressões locais que reduzem a qualidade da água e a capacidade de recuperação dos ecossistemas. Entre elas estão a sobrepesca, o desenvolvimento costeiro, o turismo e o lançamento de sedimentos e nutrientes provenientes do continente.

A avaliação também cita a exploração de petróleo e gás, a mineração e a navegação como fatores adicionais de impacto. Espécies exóticas, como os corais-sol e o peixe-leão, representam outra ameaça à biodiversidade. De acordo com o documento, recifes costeiros estão submetidos, em geral, a uma combinação de pressões mais intensa do que aqueles localizados em áreas mais distantes da costa.

BRANQUEAMENTO DE CORAIS - PE - Banco de corais de cadeia submersa do Norte do Brasil mostram branqueamento. - Millepora Branca Sueste. Foto: UFPE
BRANQUEAMENTO DE CORAIS – PE – Banco de corais de cadeia submersa do Norte do Brasil mostram branqueamento. – Millepora Branca Sueste. Foto: UFPE

A necessidade de conservar esses ambientes também é destacada pela iniciativa Coalizão Corais do Brasil, que trabalha pela proteção dos recifes.

Falta de dados também exige atenção

Três ecorregiões brasileiras não receberam uma classificação geral de risco por falta de dados suficientes: Parcel de Manuel Luís, Costa Semiárida e Queimada Grande.

Para Ana Lídia Gaspar, analista de Conservação do WWF-Brasil, a ausência de informações não deve ser interpretada como ausência de risco. Segundo ela, é necessário ampliar o conhecimento sobre essas áreas para entender melhor sua situação e orientar medidas de conservação.

Brasília (DF) 20/08/2024 - Imagem de um estudo de recife de corais. Foto: Landsat 8 & 9/USGS/NASA
Brasília (DF) 20/08/2024 – Imagem de um estudo de recife de corais. Foto: Landsat 8 & 9/USGS/NASA

Panorama da avaliação global

A Lista Vermelha de Ecossistemas utiliza quatro categorias de risco: Vulnerável (VU), Em Perigo (EN), Criticamente em Perigo (CR) e Colapsado (CO). A avaliação brasileira considerou apenas recifes de coral fóticos, encontrados em regiões rasas e iluminadas.

Recifes profundos, formações rochosas e corais de águas frias ficaram fora do levantamento. Em escala mundial, foram analisadas 127 ecorregiões em mais de 80 países e territórios, organizadas em dez macrorregiões. Desse total, 122 foram classificadas como Criticamente em Perigo, o equivalente a 96% das áreas avaliadas.

O diagnóstico reforça a urgência de ampliar o monitoramento, reduzir as pressões locais e preparar medidas de adaptação ao aquecimento dos oceanos. A proteção dos recifes é estratégica para conservar a biodiversidade marinha e fortalecer a capacidade desses ecossistemas de resistir e se recuperar diante das mudanças ambientais.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br