Retinopatia diabética pode afetar um em cada três brasileiros com diabetes

Retinopatia diabética pode afetar um em cada três brasileiros com diabetes

Uma em cada três pessoas com diabetes no Brasil desenvolverá retinopatia diabética em algum momento da vida, segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). A doença está entre as principais causas evitáveis de perda de visão em adultos em idade produtiva e pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais.

Para ampliar o conhecimento sobre prevenção, diagnóstico e tratamento, o CBO preparou uma série de orientações que serão divulgadas durante a campanha 24 Dias pelo Diabetes. A iniciativa começa no próximo domingo (1º) e segue até o fim de novembro.

Retinopatia diabética pode afetar um em cada três brasileiros com diabetes
© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Como a retinopatia diabética afeta a visão

A retinopatia diabética ocorre quando níveis elevados de açúcar no sangue, mantidos ao longo dos anos, danificam pequenos vasos sanguíneos da retina. Localizada no fundo do olho, a retina capta a luz e envia as imagens ao cérebro.

As alterações podem avançar silenciosamente, sem provocar sinais perceptíveis no começo. A presidente do CBO, Maria Auxiliadora Frazão, alertou que a falta de sintomas não significa ausência de lesões e ressaltou o impacto da doença, que pode causar cegueira, afastar pessoas do mercado de trabalho e gerar consequências para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e para as políticas públicas.

Risco aumenta com o tempo de diabetes

Estimativas do CBO indicam que a retinopatia diabética atinge entre 24% e 39% das pessoas com diabetes no país. A probabilidade cresce conforme aumenta o tempo de convivência com a doença.

Curitiba (PR), 27/08/2025 - Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) realiza exame para miopia. Foto: CBO/Divulgação
Curitiba (PR), 27/08/2025 – Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) realiza exame para miopia. Foto: CBO/Divulgação

Após 20 anos, cerca de 90% dos pacientes com diabetes tipo 1 e 60% daqueles com tipo 2 terão algum grau de retinopatia. Quando o diagnóstico e o tratamento são realizados precocemente, o risco de cegueira pode ser reduzido para menos de 5%, de acordo com a entidade.

Exame de fundo de olho ajuda a detectar alterações

A recomendação é que pessoas com diabetes mantenham consultas regulares com o oftalmologista, mesmo quando não apresentam sintomas. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Retinopatia Diabética, publicado pelo Ministério da Saúde, aponta a fundoscopia, conhecida como exame de fundo de olho, como um dos principais recursos para identificar a doença.

Entrada dos candidatos para o primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro(UERJ), na zona norte do Rio.
© Tânia Rêgo/Agência Brasil

O procedimento permite observar a retina e os vasos sanguíneos, inclusive alterações que podem surgir enquanto a pessoa ainda enxerga normalmente. Em alguns casos, é necessário dilatar as pupilas para facilitar a avaliação das estruturas internas do olho.

Quando iniciar o rastreamento

Para pessoas com diabetes tipo 2, o exame deve ser realizado no momento do diagnóstico. Em adultos com diabetes tipo 1, o rastreamento deve começar cinco anos após a confirmação da doença. Para crianças e adolescentes, o primeiro exame deve ser considerado até cinco anos depois do início do diabetes ou no começo da puberdade.

A periodicidade das consultas depende do resultado. Quem não tem retinopatia ou apresenta a forma leve geralmente faz acompanhamento anual. Nos casos moderados ou graves, as revisões precisam ocorrer em intervalos menores, conforme a avaliação médica.

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© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Cuidados durante a gestação

Mulheres com diabetes que estejam grávidas ou planejem engravidar também devem passar por avaliação oftalmológica. Segundo o CBO, o exame precisa ser feito a cada trimestre da gestação e no primeiro ano após o parto.

A orientação reforça que o acompanhamento especializado deve fazer parte do cuidado contínuo do diabetes. A detecção antes do aparecimento de sintomas amplia as possibilidades de controle e reduz o risco de perda visual permanente.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br