Um estudo realizado pelo Observatório IA, em parceria com a Data Privacy Brasil e o Aláfia Lab, revela preocupantes irregularidades no uso de inteligência artificial durante o período eleitoral. A pesquisa, que abrangeu publicações nas redes sociais entre 1º de janeiro e 16 de agosto de 2026, aponta que quase 67% dos conteúdos políticos gerados por IA não informaram claramente sobre a utilização dessa tecnologia, o que contraria as diretrizes estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Análise dos Conteúdos e suas Classificações
Dos 413 conteúdos avaliados, aproximadamente 250 (cerca de 60%) foram catalogados como sátira, com a intenção de zombar de figuras políticas. Por outro lado, 163 publicações foram identificadas como desinformação, o que levanta questões sérias sobre a integridade das informações veiculadas durante o pleito.
Quem Está por Trás das Publicações?
A maior parte dos conteúdos enganosos ou não identificados como gerados por inteligência artificial foi disseminada por perfis anônimos. Contudo, alguns candidatos também participaram dessa prática. O presidenciável Flávio Bolsonaro, do PL, lidera a lista com 13 publicações, seguido pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), que compartilhou 10 conteúdos. Outros candidatos, como Romeu Zema e Sostenes Cavalcante, também contribuíram com postagens que violaram as normas eleitorais.
Partidos e a Disseminação de Conteúdos
Analisando o envolvimento dos partidos, o PL se destacou como o maior propagador de mensagens geradas por IA de forma inadequada, com 28 publicações. Em comparação, o PT e o PSDB publicaram quatro e duas mensagens, respectivamente, levantando preocupações sobre a utilização de recursos tecnológicos para influenciar o eleitorado.
Manipulação de Imagens: O Uso de Deepfake
Uma parte significativa dos casos de uso indevido de inteligência artificial (81%) envolveu a manipulação de imagens ou vozes de figuras públicas, uma técnica conhecida como deepfake. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o principal alvo, com 112 publicações contendo modificações pejorativas. Flávio Bolsonaro também foi vítima de 57 manipulações, evidenciando a intensa guerra de narrativas eleitorais.
O Que É Deepfake?
Deepfake refere-se a conteúdos sintéticos que são criados ou manipulados por inteligência artificial, apresentando um alto grau de realismo. Essa tecnologia pode alterar ou reproduzir a imagem, a voz ou a expressão de pessoas, sejam elas reais ou fictícias. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já baniu o uso dessa técnica em campanhas eleitorais quando o conteúdo é considerado propaganda.
Conclusão
As descobertas do Observatório IA ressaltam a necessidade urgente de regulamentação e fiscalização do uso de inteligência artificial nas eleições. Com a crescente influência da tecnologia na comunicação política, é crucial que medidas sejam tomadas para garantir a transparência e a integridade do processo eleitoral, protegendo assim a democracia e a confiança do eleitor.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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