Fotos e vídeos anexados ao relatório da Operação Ifrit, da Polícia Federal, apontam uma relação de proximidade entre o delegado Hoffman D’Ávila Candido e Sousa e integrantes do chamado Clã Haidar. As imagens mostram abraços, momentos de descontração com karaokê e visitas noturnas de investigados à sede da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), no Jardim Itatiaia, em Campo Grande.
A operação investiga uma organização criminosa suspeita de tráfico de drogas e de desvio de cocaína apreendida e armazenada pela própria Denar. Segundo a PF, Hoffman teria desempenhado um papel central na proteção das atividades do grupo e lucrado cerca de R$ 15 milhões com a venda dos entorpecentes.
Imagens registram visitas e convivência dentro da Denar
De acordo com o relatório, algumas fotos foram feitas por Adule Vasques Haidar, filho de Adel Hassan Haidar, apontado como uma das principais lideranças da organização criminosa. Os registros teriam sido feitos em uma noite de dezembro de 2025 e, para os investigadores, indicam que Adule frequentava a sede da delegacia com certa regularidade.
Em uma das imagens, Adule aparece em uma selfie ao lado de Vitor da Silva, apontado como integrante operacional do grupo. Os dois estão diante de uma porta identificada com a inscrição “Arquivo Investigação” e o logotipo da Denar. Em outra fotografia, feita de ângulo diferente, os mesmos investigados aparecem novamente no interior da unidade policial.
Registros mostram encontros entre Hoffman e Adel Haidar
O relatório também reúne imagens de Hoffman ao lado de Adel Hassan Haidar. Um dos registros, feito em novembro de 2025, mostra os dois juntos enquanto Adel segura uma arma longa em uma situação descrita como um aparente teste de pontaria. Em outra fotografia, registrada em março deste ano, os dois aparecem se despedindo com um abraço.

Um vídeo gravado em maio do ano passado, em Ponta Porã, mostra o delegado na companhia de Adel durante uma confraternização. Os dois aparecem descontraídos ao som de um aparelho de karaokê. Para a Polícia Federal, o conjunto dos registros reforça a hipótese de uma relação pessoal próxima entre o delegado e o grupo investigado.
PF aponta desvio e revenda de cocaína
A investigação aponta que Hoffman teria participado do desvio de aproximadamente duas toneladas de cocaína do depósito da Denar. Conforme o relatório, a droga era revendida por valores entre R$ 8,5 mil e R$ 10,5 mil o quilo. Os investigadores também afirmam que o entorpecente teria sido misturado com fermento e farinha antes da comercialização.
A estimativa da PF é de que o delegado tenha obtido cerca de R$ 15 milhões com o esquema. Preso desde setembro, quando foi alvo da Operação Infiltrados, Hoffman é apontado como o principal agente público cooptado pela organização.
Delegado teria fornecido informações sigilosas
Segundo os investigadores, Hoffman teria usado a posição que ocupava para blindar o grupo tanto no campo investigativo quanto no operacional. Entre as suspeitas estão o fornecimento de informações sigilosas sobre investigações e ações policiais, a facilitação da devolução de bens e veículos apreendidos e a participação no desvio e na revenda de drogas recolhidas pela corporação.

Ainda conforme o relatório, o delegado participava de reuniões de alinhamento com integrantes da cúpula da organização. Os encontros tratariam de ameaças, conflitos internos e represálias contra desafetos. Em troca, Hoffman receberia pagamentos encaminhados por meio de contas de terceiros ligadas a ele.
Operação Ifrit tem 29 alvos
A Operação Ifrit tem 29 investigados como alvos e apura a atuação de uma quadrilha ligada ao tráfico de drogas e ao desvio de cocaína. Entre os nomes citados estão Adel Hassan Haidar, Adule Vasques Haidar, Andrey Elesbão Silva, Bassam Hassan Haidar Ahmed, Brendo Benega Pereira, Bruno Banega, Bruno Leonardo Bergamasco, Daniel Ecleverson da Silva Barbosa, Daniel Jonatas Ferreira, Douglas Tobias e Eduardo Greco.
Também aparecem na relação Fahd Haidar, Hector Salinas Esquivel, Hoffman D’Ávila Candido e Sousa, Ireneo Ramom Acosta, João Fernando Andrade de Carvalho, Jorge Adalid Granier Ruiz, José Miguel Vela Caprioli Junior, Mamede Alhaj Haidar, Maroan Fernandes Haidar Ahmed, Nasser Haidar, Pedro Henrique Flores Camargo, Rafael Rodas Neto, Renan Braiana Garcia Presotto, Salazar José Batista, Valdeson Pereira dos Santos, Valter Ulisses Martins Silva, Victor Hugo Santos Queiroz e Vitor da Silva.
Mandados foram cumpridos em sete estados
A operação cumpre 76 mandados judiciais, incluindo 25 de prisão. As medidas são realizadas em sete estados, entre eles Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. A investigação busca esclarecer a estrutura da organização, o desvio de entorpecentes apreendidos e a participação de agentes públicos no funcionamento do esquema.
As conclusões sobre a atuação dos investigados ainda integram uma apuração policial e deverão ser analisadas pela Justiça. O relatório da PF, entretanto, descreve Hoffman como peça estratégica para o acesso a informações, a interferência em apreensões e a proteção das atividades do grupo criminoso.
Links e documentos citados
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