O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou nesta quinta-feira (5) a Operação Infiltrados II contra policiais civis suspeitos de desviar mais de 500 quilos de cocaína apreendida em operações de combate ao tráfico em Mato Grosso do Sul. Entre os alvos está um delegado que atuou na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron).
Segundo as investigações, a droga era retirada da delegacia ou desviada durante o transporte para a incineração. Em setembro de 2025, mais de meia tonelada que deveria ser destruída teria sido entregue a traficantes. O caso envolve agentes que passaram pela Defron, unidade especializada em crimes de fronteira.
Quem são os alvos da Operação Infiltrados II
A relação divulgada inclui o delegado Guilherme Scucuglia Cezar, atualmente adjunto da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), e policiais civis lotados em diferentes municípios de Mato Grosso do Sul:
Guilherme Scucuglia Cezar – delegado da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e atual adjunto da Derf; Rogério da Rocha Ferreira – policial civil lotado na Defron; Rodrigo Carpes da Silva – policial civil lotado em Sidrolândia; Anderson Mirandola – policial civil lotado em Douradina; Cassiano Rodrigues Teixeira – policial civil lotado em Anaurilândia; Eumer Cordeiro Barbosa – policial civil lotado em Naviraí; Oseias Medeiros da Silva – policial civil lotado em Dourados; Gustavo dos Santos Sayao – policial civil lotado em Laguna Carapã; e João Marcos Garcia – policial civil lotado em Dourados.
Mandados de prisão e afastamento das funções
As equipes cumpriram quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina e Santa Terezinha de Itaipu, no Paraná. A ação teve apoio da Corregedoria da Polícia Civil, do Batalhão de Choque e do Gaeco paranaense.
O nome da operação faz referência à suspeita de que criminosos teriam se infiltrado na estrutura de segurança pública para usar a função e os recursos do Estado em benefício do próprio esquema criminoso.
Polícia Civil afirma que já investigava possíveis irregularidades
Em nota, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul informou que as possíveis irregularidades já eram apuradas internamente pela Corregedoria-Geral havia aproximadamente quatro meses, por meio de inquérito policial e procedimento administrativo disciplinar.
A instituição declarou que adotou medidas administrativas e correcionais, como mudanças em procedimentos operacionais, remoção de servidores e uma correição extraordinária na unidade policial. A Corregedoria acompanhou o cumprimento das prisões e das buscas realizadas pelo Gaeco.
A Polícia Civil afirmou ainda que as apurações internas continuarão e que serão aplicadas as medidas administrativas e disciplinares cabíveis. A corporação classificou como inadmissível o uso da estrutura policial para a prática de crimes e ressaltou que os envolvidos terão assegurados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.
A Secretaria de Justiça e Segurança Pública não havia respondido aos questionamentos sobre a operação até a publicação da notícia. O espaço permanece aberto para manifestação.
Primeira fase da operação
A primeira fase da Operação Infiltrados foi realizada em 24 de setembro e resultou no cumprimento de 26 mandados de prisão. Entre os principais alvos estavam o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, ex-titular da Denar e do Garras, além de policiais civis, policiais militares e um policial penal.
De acordo com as investigações, o esquema teria utilizado a própria estrutura das forças de segurança para subtrair grandes quantidades de drogas apreendidas e repassá-las ao tráfico. A segunda fase busca esclarecer a participação dos agentes relacionados ao desvio da cocaína que seria encaminhada para destruição.
Links e documentos citados
- os policiais “sumiram” com mais de 500 quilos de cocaína que seguiriam para destruição
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