PF deflagra operação contra fraude no seguro-defeso e bloqueia R$ 400 milhões no Maranhão

PF deflagra operação contra fraude no seguro-defeso e bloqueia R$ 400 milhões no Maranhão

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (28), a Operação Indefeso para desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudar a concessão do Seguro-Defeso no Maranhão. O benefício garante renda aos pescadores artesanais durante o período em que a atividade pesqueira é legalmente interrompida.

Segundo os indícios reunidos e as análises realizadas durante a investigação, o esquema poderia provocar prejuízo de aproximadamente R$ 10 bilhões aos cofres públicos ao longo de cinco anos.

Mandados foram cumpridos em 16 municípios

A ação mobilizou cerca de 160 policiais federais, com apoio técnico da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão em 16 municípios maranhenses.

PF deflagra operação contra fraude no seguro-defeso e bloqueia R$ 400 milhões no Maranhão
© Fernando Frazão/Agência Brasil

Também foi determinado o afastamento de dois agentes públicos supostamente envolvidos no esquema. A Justiça impôs ainda 17 medidas cautelares diversas da prisão, com o objetivo de interromper a atuação do grupo, preservar a instrução processual e evitar a continuidade das práticas investigadas.

Bloqueio de patrimônio chega a R$ 400 milhões

A PF informou que a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 400 milhões em bens e valores pertencentes aos investigados. A medida busca garantir o ressarcimento de eventuais danos ao erário e impedir a ocultação ou a dissipação de patrimônio supostamente obtido com as atividades criminosas.

Foz do rio Doce, distrito de Regência
© Fernando Frazão/Agência Brasil

Durante o cumprimento das buscas, os agentes apreenderam veículos, armas, documentos e telefones celulares. O material será analisado no decorrer da investigação.

Investigação apura uso de documentos fraudulentos

De acordo com a Polícia Federal, as fraudes envolveriam a inserção de informações falsas em sistemas governamentais, o uso de documentos fraudulentos e a possível participação de agentes públicos e particulares na concessão indevida do benefício.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário, inserção de dados falsos em sistema informatizado da administração pública, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Imperatriz (MA), 13/10/2025 – Vista de pescadores em atividade nas águas do Rio Tocantins. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Imperatriz (MA), 13/10/2025 – Vista de pescadores em atividade nas águas do Rio Tocantins. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Próximas etapas da Operação Indefeso

As investigações terão continuidade com a análise dos itens apreendidos e o aprofundamento das diligências. A PF pretende identificar outros possíveis envolvidos, delimitar a extensão da atuação criminosa e calcular com precisão os prejuízos causados aos cofres públicos.

Informações relacionadas ao seguro-defeso

O caso ocorre em meio a outras medidas relacionadas ao benefício. Pescadores artesanais começaram a receber o seguro-defeso retroativo, enquanto o Ministério da Pesca cancelou mais de 76 mil licenças de pescadores.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br