Os norte-americanos foram às urnas nesta terça-feira em eleições de meio de mandato que funcionam como um veredicto sobre o segundo mandato do presidente Donald Trump. Pesquisas e analistas independentes apontam os democratas como favoritos para recuperar o controle da Câmara dos Representantes, enquanto a disputa pelo Senado permanece incerta.
A eleição é acompanhada pela Agência Brasil, com informações da Reuters.
Disputa pelo Congresso ocorre em cenário desfavorável a Trump
A corrida pelo Senado se concentra em quase dez disputas acirradas em diferentes regiões do país, a maioria em Estados tradicionalmente republicanos. O histórico também pesa contra o partido de Trump: desde a Segunda Guerra Mundial, os republicanos perderam espaço no Congresso em todas as eleições de meio de mandato, com exceção de duas.
O índice de aprovação do presidente oscila próximo dos níveis mais baixos de seu mandato. A insatisfação é atribuída principalmente à frustração dos eleitores com a guerra contra o Irã e ao consequente aumento dos preços dos combustíveis. Pesquisas indicam ainda que o custo de vida é a principal preocupação dos eleitores, que desaprovam a forma como Trump tem lidado com o tema.
Trump transforma eleição em avaliação de seu governo
A campanha foi marcada pela centralidade do presidente. Trump, que está há quase dois anos em seu segundo mandato, pediu repetidamente aos apoiadores que votassem como se ele estivesse na cédula. Líderes democratas também reforçaram essa interpretação, apresentando a eleição como uma avaliação direta do governo.
O presidente também ofereceu um incentivo inédito: a proposta de um cheque de US$ 5 mil para cada adulto norte-americano caso os republicanos mantenham o controle do Congresso. O pagamento, no entanto, dependeria de aprovação pelo Legislativo.

Custo de vida domina preocupação dos eleitores
Os republicanos, liderados por Trump, classificaram os candidatos democratas como radicais, antiamericanos e até comunistas. As pesquisas, porém, mostram que os eleitores estão mais concentrados na inflação e nas despesas cotidianas.
As tarifas amplas impostas por Trump sobre produtos importados, muitas delas consideradas ilegais pela Justiça, além da decisão de atacar o Irã em fevereiro, contribuíram para elevar os preços pagos pelos consumidores. Candidatos republicanos também enfrentam dificuldades para se distanciar de um presidente que exige lealdade e raramente admite erros.
Em um centro de votação localizado em um bairro predominantemente negro no noroeste de Detroit, Natalia Towns, de 34 anos, afirmou não considerar sinceras as tentativas de Mike Rogers, candidato republicano ao Senado, de conquistar eleitores negros. Ela também avaliou que o democrata progressista Abdul El-Sayed precisa fazer mais para reduzir os custos.
“Eu realmente sinto que a saúde é importante, os preços da gasolina estão altos, os alimentos estão muito caros”, disse Towns.
Trump anuncia possível suspensão de recursos para Israel
Em declarações que pareciam dirigidas a eleitores insatisfeitos com o apoio dos Estados Unidos a Israel, Trump anunciou a intenção de suspender, após o fim deste ano, o financiamento anual prometido de US$ 3,8 bilhões ao país.

Não ficou claro como a medida seria implementada, já que uma lei de 2020 estabelece os níveis de financiamento. A aliança entre os Estados Unidos e Israel tem sido um tema especialmente relevante em Michigan, onde El-Sayed desenvolve uma campanha para o Senado acompanhada de perto.
Departamento de Justiça mobiliza observadores eleitorais
Observadores jurídicos e democratas alertaram que Trump, que há muito tempo afirma falsamente que as eleições norte-americanas são fraudadas, poderá tentar contestar os resultados caso os republicanos percam espaço no Congresso.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou nesta terça-feira que mobilizou 1.000 monitores e observadores eleitorais para os 50 Estados. Segundo o órgão, trata-se da maior iniciativa de monitoramento do dia da eleição já realizada no país.
Os democratas criticaram o plano e afirmaram que ele poderia ser usado como forma de intimidação dos eleitores. Em cerca de dois terços das jurisdições listadas pelo departamento, os eleitores haviam apoiado a democrata Kamala Harris em vez de Trump na eleição presidencial anterior.
Resultado pode redefinir o equilíbrio político
Além de determinar o controle da Câmara e possivelmente do Senado, a votação deve medir a força política de Trump no segundo mandato. Uma derrota republicana ampliaria a capacidade de oposição dos democratas no Congresso e poderia dificultar a agenda do governo.
Com o custo de vida, a política externa e a confiança no processo eleitoral no centro do debate, a apuração será acompanhada como um teste para a popularidade do presidente e para o futuro equilíbrio de poder em Washington.
Links e documentos citados
- Aprovação de Trump fica perto da mínima histórica antes da eleição
- Radioagência Senado Federal aprova texto-base da PEC da Segurança Pública
- Rádios
- TV Brasil Repórter Brasil de 3 de novembro de 2026; assista na íntegra
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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