O aumento do custo de vida nos Estados Unidos, a guerra contra o Irã, a falta de regulação da inteligência artificial (IA), as políticas de imigração e os escândalos de corrupção envolvendo a administração de Donald Trump explicam a derrota histórica dos republicanos nas eleições de meio de mandato. O partido perdeu a maioria tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado.
A rejeição ao governo também apareceu em estados historicamente republicanos, identificados pela cor vermelha do partido, como Texas, Carolina do Sul, Kansas, Ohio e Iowa. No Texas, um democrata não era eleito havia 38 anos.
Economia e custo de vida pesaram na decisão
Pesquisas de opinião indicaram que o resultado representou uma reação às políticas de Trump na Casa Branca. O presidente se envolveu pessoalmente na campanha nas últimas semanas, mas eleitores ouvidos pela NBC News na saída das urnas atribuíram ao governo a piora dos indicadores econômicos.
Segundo a emissora, 65% dos entrevistados disseram que as políticas de Trump pioraram a economia, enquanto 62% afirmaram que o presidente é responsável pelos preços elevados.

Para a professora de relações internacionais Camila Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), muitos eleitores haviam escolhido Trump esperando respostas para problemas internos dos Estados Unidos. Essas expectativas, segundo ela, não foram atendidas.
“As pessoas tinham esperança de que Trump adotasse políticas mais voltadas para dentro dos EUA, voltadas para questões materiais da população que está cada vez mais estagnada financeiramente”, afirmou à Agência Brasil.
Camila acrescentou que parte da população precisa trabalhar em dois ou três empregos para conseguir chegar ao fim do mês, em um país onde a saúde é amplamente privatizada e envolve gastos elevados.
IA e data centers ampliam preocupações
As políticas de Trump para a inteligência artificial também apareceram entre os motivos apontados pelos eleitores. O presidente defende que o setor não seja submetido a regulação, posição criticada por especialistas e parte da população. Análises sobre a autorregulação da IA relacionaram essa postura à ampliação do poder das grandes empresas de tecnologia.

A pesquisa da NBC News mostrou que 57% dos eleitores consideram que a IA fará mais mal do que bem à sociedade. Além disso, 76% se disseram contrários à construção de data centers em suas comunidades.
Guerra contra o Irã e imigração
A ação militar dos Estados Unidos contra o Irã foi outro fator de rejeição ao governo. De acordo com o levantamento, 63% dos entrevistados disseram que o país tomou a decisão errada ao iniciar a operação.
As políticas de imigração também enfrentaram resistência: 57% dos eleitores afirmaram que as medidas adotadas pela administração Trump “foram longe demais”. A combinação entre conflitos externos e prioridades domésticas contribuiu para ampliar a insatisfação com o governo.

Acusações de corrupção atingem a família Trump
A corrupção ganhou peso ao longo dos últimos meses e durante a campanha, embora inicialmente não estivesse entre as principais preocupações dos eleitores. Para o professor de história da Universidade Brown James N. Green, o resultado foi muito pior para os republicanos do que o esperado.
“É o começo e o fim do poder do Donald Trump”, afirmou à Agência Brasil.
Trump tem sido acusado de favorecer negócios da própria família, incluindo suspeitas de manipulação no mercado de ações por meio do acesso a informações privilegiadas para operações financeiras. Reportagens também levantaram questionamentos sobre conflitos de interesse e enriquecimento ilícito no governo.
O The New York Times recebeu o Prêmio Pulitzer de 2026 por uma investigação sobre “os conflitos de interesse e o enriquecimento ilícito desenfreados que assolam o governo Trump”. A cobertura pode ser consultada em reportagem especial do jornal.

Outra investigação, publicada pelo The Washington Post, informou que 15 empresas dos filhos de Trump arrecadaram US$ 3,2 bilhões. O jornal também relatou questionamentos de parlamentares sobre companhias apoiadas pela família e possíveis relações com contratos e interesses do governo. A reportagem está disponível no site do jornal.
Derrota redefine o futuro político de Trump
A perda da maioria no Congresso e as derrotas em estados tradicionalmente republicanos enfraquecem a capacidade de Trump de conduzir sua agenda legislativa. O resultado também sinaliza que temas econômicos e sociais, somados às decisões de política externa e às acusações contra o governo, mobilizaram eleitores de diferentes regiões.
A vitória democrata é descrita como uma das maiores obtidas pelo partido em décadas e abre uma nova etapa de disputa política nos Estados Unidos. A cobertura sobre a conquista do Congresso pode ser acompanhada em Democratas conquistam Congresso em esmagadora rejeição a Trump.
O desempenho nas urnas ocorre depois de um período de baixa popularidade presidencial. Antes da votação, a aprovação de Trump já estava próxima da mínima histórica, conforme mostrou levantamento publicado pela Agência Brasil.
Links e documentos citados
- Trump e Milei entram para lista de "predadores da imprensa", diz ONG
- Radioagência Teatro Amazonas recebe título de Patrimônio Mundial da Unesco
- Rádios
- TV Brasil Eleição nos EUA define futuro de Trump e tem impacto no Brasil
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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