A Polícia Federal (PF) informou nesta quarta-feira (28) que investiga as circunstâncias da fuga do senador Flávio Bolsonaro do Brasil. Segundo a corporação, o parlamentar teria cruzado a fronteira com a Argentina na terça-feira (27) e, de lá, embarcado em um avião particular com destino aos Estados Unidos, acompanhado da esposa e das duas filhas.
A saída do país ocorreu depois de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu Flávio de deixar o Brasil e determinou a entrega dos passaportes comum e diplomático. A PF afirmou que não encontrou registros oficiais de passagem do senador por postos de controle migratório brasileiros.
Investigação sobre a saída do país
Moraes expediu a ordem judicial a pedido da PF. Entre as determinações estavam a apreensão dos documentos de viagem, a proibição de deixar o território nacional e a restrição de contato com outros investigados no âmbito da Petição nº 16877/DF, que tramita no STF.

Após a decisão, os passaportes brasileiro comum e diplomático de Flávio foram cancelados, e um alerta migratório foi incluído no sistema Sonar, utilizado no controle da passagem de pessoas pelos postos de fronteira. Mesmo assim, a PF informou que não identificou registro oficial de que o senador tenha passado por uma unidade migratória brasileira.
Inquéritos no Supremo Tribunal Federal
Flávio é investigado em dois inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Em um deles, o senador é suspeito, ao lado do advogado e empresário Willer Tomaz, de envolvimento em lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas, conhecidas como bets.

O parlamentar também é alvo de uma investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção que aborda a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio e Willer Tomaz negam qualquer irregularidade.
O caso relacionado ao advogado envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas e é relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. Willer Tomaz é considerado próximo de Flávio e está entre os alvos das apurações.
Declarações de Eduardo Bolsonaro
A decisão judicial foi tomada depois de o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, afirmar em uma transmissão nas redes sociais que o senador deveria deixar o país caso perdesse a eleição presidencial. A ideia defendida por Eduardo era que Flávio liderasse a oposição brasileira a partir do exterior.

Eduardo permanece nos Estados Unidos, apesar de constar contra ele um mandado de prisão em aberto no Brasil. O ex-deputado foi condenado a quatro anos de prisão por articular sanções contra autoridades brasileiras e o aumento de tarifas dos Estados Unidos sobre exportações do país.
De acordo com a acusação, as articulações buscavam evitar a condenação de Jair Bolsonaro no processo que investiga a trama golpista.

PF diz que restrições não configuram, sozinhas, situação de foragido
Em nota, a Polícia Federal explicou que a existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza automaticamente prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares.
A corporação afirmou que atua dentro dos limites legais e em cumprimento às determinações judiciais. A investigação deverá esclarecer como Flávio deixou o Brasil sem que fosse localizado um registro de passagem por um posto migratório nacional.
Repercussão política
A saída do senador provocou reações no cenário político. Entre os desdobramentos estão as críticas de democratas à decisão de Donald Trump de conceder visto a Flávio, a avaliação do presidente Lula, que classificou a fuga como um “ato vergonhoso”, e a manifestação de um coordenador de campanha, que afirmou ter ficado surpreso com o episódio.
Links e documentos citados
- os passaportes comum e diplomático de Flávio emitidos pelo Brasil foram cancelados
- Democratas condenam decisão de Trump de conceder visto a Flávio
- “Ato vergonhoso”, diz Lula sobre fuga de Flávio Bolsonaro
- Coordenador de campanha se diz surpreso com fuga de Flávio
- Radioagência Dia do Servidor Público é celebrado em 28 de outubro
- Rádios
- TV Brasil Casos de assédio eleitoral disparam após vitória de Lula no 2º turno
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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