Justiça bloqueia mais de R$ 327 milhões ligados ao CV por venda ilegal de gás de cozinha no Rio

Justiça bloqueia mais de R$ 327 milhões ligados ao CV por venda ilegal de gás de cozinha no Rio

A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões em recursos vinculados a integrantes do Comando Vermelho (CV) e a empresas suspeitas de participação em um esquema de venda ilegal de gás de cozinha no estado do Rio de Janeiro. A decisão foi obtida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

A medida faz parte de uma investigação que resultou na denúncia de 12 integrantes da organização criminosa. O caso foi divulgado nesta quarta-feira (28) e envolve acusações de ameaças, extorsões e controle da comercialização de botijões em comunidades da região metropolitana do Rio.

Operação cumpre prisões e buscas

Além do bloqueio financeiro, a 2ª Vara Criminal Especializada da Capital autorizou mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. As ordens foram cumpridas por equipes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD).

Justiça bloqueia mais de R$ 327 milhões ligados ao CV por venda ilegal de gás de cozinha no Rio
© Marcello Casal/Agência Brasil

Entre os denunciados está Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”. Segundo o MPRJ, ele é apontado como a principal liderança do Comando Vermelho em liberdade no Rio de Janeiro e como responsável pelo comando das ações da facção no Complexo do Alemão.

Como funcionava o esquema de venda de gás

As investigações indicaram que o grupo mantinha uma estrutura organizada, com divisão de funções e comunicação permanente entre os integrantes. Comerciantes eram obrigados a comprar botijões exclusivamente de uma distribuidora indicada pelos criminosos ou a pagar taxas mensais ao tráfico para continuar trabalhando.

Os moradores das áreas controladas também eram pressionados a adquirir o gás somente nos pontos definidos pela organização. Conforme a denúncia, os produtos eram vendidos por preços mais altos, enquanto a atuação criminosa eliminava a concorrência e garantia o repasse periódico de valores ao grupo.

Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) fala sobre denúncia de policiais civis por homicídio doloso e fraude processual em operação no Jacarezinho
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Denúncia de comerciante deu início à apuração

A investigação começou depois que o proprietário de um depósito de gás na comunidade Vai Quem Quer, em Duque de Caxias, procurou a polícia para relatar ameaças de morte e de sequestro.

Investigação aponta exploração de serviço essencial

Para o MPRJ, o controle da distribuição de gás permitia à organização ampliar sua influência econômica sobre comerciantes e moradores. A exploração de um produto essencial também teria fortalecido o poder territorial da facção nas comunidades investigadas.

O caso integra a área de Justiça e ainda será analisado no curso do processo, no qual os denunciados terão direito à defesa e ao contraditório.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br