Importações para pesquisa pública terão imunidade tributária, anuncia Fazenda

Importações para pesquisa pública terão imunidade tributária, anuncia Fazenda

O Ministério da Fazenda anunciou nesta quarta-feira (21) medidas para garantir a aplicação da imunidade tributária prevista na Constituição às importações destinadas a projetos de universidades públicas, institutos federais e instituições públicas de ciência, tecnologia e inovação. A iniciativa busca ampliar a capacidade de desenvolvimento científico do país e dar mais segurança jurídica às operações.

Segundo a pasta, equipamentos, softwares e insumos importados por fundações de apoio em nome dessas instituições passarão a contar com a proteção da imunidade tributária recíproca. Com isso, os recursos destinados à pesquisa poderão ser aplicados integralmente na aquisição de materiais e tecnologias para laboratórios, sem perdas provocadas por cobranças tributárias consideradas indevidas.

Importações para pesquisa pública terão imunidade tributária, anuncia Fazenda
© Sayonara Moreno/Agência Brasil

Medida esclarece atuação das fundações de apoio

A decisão pretende eliminar dúvidas sobre a manutenção da imunidade quando as fundações de apoio administram recursos, realizam compras e conduzem procedimentos de despacho aduaneiro em projetos vinculados a instituições públicas. De acordo com o Ministério da Fazenda, a incerteza jurídica aumentava o risco de tributação e dificultava a importação de bens necessários às atividades de pesquisa.

A administração financeira feita pelas fundações foi definida como um mecanismo operacional. Portanto, essa atuação não altera a natureza pública dos recursos destinados às universidades, aos institutos federais e às demais instituições públicas de pesquisa.

São Paulo (SP), 19/06/2023 - Crianças realizam projetos de ciências no pátio da antiga Escola Municipal de Ensino Fundamental - EMEF Infante Dom Henrique, agora chamada EMEF Espaço de Bitita, em homenagem a escritora Carolina Maria de Jesus, no Canindé. Foto: Rovena Rosa/Agência
São Paulo (SP), 19/06/2023 – Crianças realizam projetos de ciências no pátio da antiga Escola Municipal de Ensino Fundamental – EMEF Infante Dom Henrique, agora chamada EMEF Espaço de Bitita, em homenagem a escritora Carolina Maria de Jesus, no Canindé. Foto: Rovena Rosa/Agência

Importações terão de cumprir exigências

Para acessar o benefício, as operações deverão observar condições específicas. A importação terá de ser realizada em nome da instituição pública beneficiária, enquanto os recursos deverão circular em uma conta exclusiva do projeto. Os bens também precisarão ser incorporados imediatamente ao patrimônio da universidade ou do instituto responsável.

Além disso, a prestação de contas ficará sujeita à fiscalização da Receita Federal e dos demais órgãos de controle. As exigências buscam assegurar que a imunidade seja aplicada apenas a operações efetivamente vinculadas a projetos de pesquisa pública.

Brasília (DF), 25/06/2026 – Alunos do ensino médio do CED 16, na Ceilândia, aproveitam o segundo semestre letivo para intensificar a preparação em sala de aula visando o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), vestibulares, Programa de Avaliação Seriada (PAS/UnB) e outros processos seletivos de ingresso no ensino superior Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Brasília (DF), 25/06/2026 – Alunos do ensino médio do CED 16, na Ceilândia, aproveitam o segundo semestre letivo para intensificar a preparação em sala de aula visando o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), vestibulares, Programa de Avaliação Seriada (PAS/UnB) e outros processos seletivos de ingresso no ensino superior Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Governo espera reduzir gargalos e acelerar investimentos

Na avaliação do governo, a mudança deve diminuir entraves burocráticos, acelerar o reaparelhamento de universidades públicas e institutos federais e fortalecer a infraestrutura nacional de ciência, tecnologia e inovação. A expectativa é que a maior previsibilidade tributária facilite a compra de equipamentos, softwares e insumos utilizados em pesquisas.

A medida também procura reduzir as limitações do atual sistema de desoneração das importações para pesquisa científica. Hoje, o mecanismo depende de uma cota administrada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), considerada insuficiente pelo governo para atender à demanda de universidades e instituições de pesquisa.

Ipojuca (PE) 01/11/2024 – As unidades de hidrotratametno de nafta e de geração de hidrogênio da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), da Petrobras, trabalham para reduzir os teores de enxofre e componentes instáveis no combustível. O Trem 1 da RNEST vai passar por
Ipojuca (PE) 01/11/2024 – As unidades de hidrotratametno de nafta e de geração de hidrogênio da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), da Petrobras, trabalham para reduzir os teores de enxofre e componentes instáveis no combustível. O Trem 1 da RNEST vai passar por

Definição envolveu órgãos federais e universidades

As novas orientações foram estabelecidas após discussões entre a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), a Receita Federal, a Advocacia-Geral da União (AGU) e representantes das universidades federais. O objetivo foi alinhar a interpretação das regras tributárias e oferecer parâmetros para a execução dos projetos de pesquisa.

A medida integra o conjunto de iniciativas relacionadas ao fortalecimento da educação e da pesquisa no setor público. Entre os temas associados estão a necessidade de formação contínua para professores de ciências e as demandas de estudantes por melhores condições de ensino e aprendizagem, além de debates sobre a política tributária para diferentes setores da economia.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br