Protestos de Camelôs no Rio de Janeiro: Mobilização Contra o Programa Tolerância Zero

Neste sábado, 19 de agosto, camelôs, vendedores ambulantes e trabalhadores informais se reuniram em frente ao Hotel Fasano, localizado em Ipanema, Rio de Janeiro, para protestar contra o programa Tolerância Zero implementado pela Prefeitura. Este ato marca o quarto dia consecutivo de mobilizações da categoria, que busca contestar a intensa fiscalização do comércio ambulante na orla da zona sul da cidade.

Ato e Reivindicações dos Trabalhadores Informais

Os manifestantes, munidos de panelas, apitos e tambores, entoaram palavras de ordem como "Unidos podemos trabalhar". Eles destacam a necessidade de chamar a atenção para o que consideram a criminalização injusta da profissão. A coordenadora do Movimento Unido dos Camelôs (Muca), Maria de Lourdes do Carmo, ressaltou que as mobilizações continuarão até que haja um diálogo efetivo com a prefeitura.

Defesa do Comércio Ambulante

Maria enfatizou que, embora os trabalhadores apoiem o ordenamento do comércio, é fundamental que a prefeitura faça uma distinção entre vendedores informais e organizações criminosas. Além disso, ela reivindica a regularização de ambulantes que aguardam há anos pela autorização para exercer suas atividades. "Queremos trabalhar de forma legal e com respeito, sem sermos tratados como criminosos", afirmou.

Intervenção do Ministério Público Federal

Na sexta-feira, 18 de agosto, o Ministério Público Federal (MPF) protocolou uma ação civil pública solicitando a suspensão imediata do programa Tolerância Zero. O MPF argumenta que a prefeitura não seguiu as normas federais que regem a gestão das praias e dos bens da União, implementando uma política de fiscalização sem diálogo e sem alternativas para a regularização dos trabalhadores.

Reação da Prefeitura e Críticas ao Programa

Após a ação do MPF, o prefeito em exercício, Eduardo Cavaliere, declarou nas redes sociais que o programa permanecerá em vigor e criticou o pedido do Ministério Público, chamando-o de "absoluta inversão de valores". Ele reforçou que a prefeitura tem o dever constitucional de ordenar o espaço urbano e combater o crime organizado que atua no comércio ambulante.

A Caminho de Novas Articulações

Em resposta às declarações do prefeito, Maria dos Camelôs expressou sua insatisfação com a falta de diálogo e a criminalização do setor. Ela anunciou que o movimento planeja expandir suas articulações institucionais, com contatos já estabelecidos com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e a intenção de levar suas reivindicações ao governo federal. "Estamos determinados a denunciar essa situação em busca de soluções", concluiu.

Conclusão

Os protestos dos camelôs no Rio de Janeiro revelam a tensão entre o comércio informal e as políticas de fiscalização urbana. A luta por reconhecimento e regularização continua, com os trabalhadores clamando por um espaço seguro para exercer suas atividades. A resposta das autoridades e o resultado das negociações futuras serão cruciais para definir o futuro do comércio ambulante na cidade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br