Projeto prevê R$ 10 milhões para fortalecer agricultura familiar no semiárido da Bahia

Projeto prevê R$ 10 milhões para fortalecer agricultura familiar no semiárido da Bahia

Cerca de R$ 10 milhões serão destinados ao fortalecimento da agricultura familiar no semiárido da Bahia. O projeto, uma parceria entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Petrobras, deve beneficiar diretamente 720 agricultores familiares ligados a 27 cooperativas e associações distribuídas por 26 municípios do estado.

Mulheres, jovens e quilombolas estão entre os beneficiários

Entre os 720 agricultores familiares atendidos, 504 são mulheres, 504 são jovens e 45 são quilombolas. Os grupos podem se sobrepor, o que significa que uma mesma pessoa pode estar incluída em mais de uma dessas categorias.

A execução do projeto terá duração de 36 meses. Os recursos serão aplicados em assistência técnica, capacitação, apoio direto à produção, beneficiamento de alimentos e criação de canais de comercialização para ampliar a renda e a capacidade de atuação dos empreendimentos coletivos.

Projeto prevê R$ 10 milhões para fortalecer agricultura familiar no semiárido da Bahia
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Semiárido concentra maior parte da agricultura familiar baiana

O semiárido da Bahia reúne 287 municípios organizados em 22 Territórios de Identidade. A região corresponde a 85,6% do território estadual e concentra 53,1% da população baiana. Nesse espaço, a agricultura familiar representa 78,24% dos estabelecimentos rurais.

Sistemas agroecológicos e unidades de beneficiamento

O projeto prevê a implantação de 240 sistemas produtivos agroecológicos em propriedades de agricultores familiares. Essas áreas deverão funcionar como unidades de referência, permitindo a disseminação de práticas adaptadas às condições locais do semiárido.

Também estão previstos 40 quintais produtivos com canteiros econômicos e galinheiros, 40 sistemas de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), 40 quintais associados a tecnologias de armazenamento de água e 120 sistemas agroecológicos voltados à produção de ovos caipiras.

Carteira de trabalho digital.
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Na etapa de beneficiamento, serão implantadas ou aprimoradas 11 unidades: três minicentrais de abastecimento, quatro fábricas de ração e quatro entrepostos de ovos. A estrutura deverá apoiar a agregação de valor à produção e melhorar as condições de comercialização.

Capacitação, assistência técnica e venda direta

As atividades incluem 180 oficinas de capacitação, 7,2 mil visitas e 900 reuniões de assistência técnica e extensão rural. A proposta é oferecer acompanhamento contínuo aos produtores e apoiar a adoção de técnicas mais adequadas à realidade de cada comunidade.

Inauguração da Usina de Belo Monte
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A iniciativa também prevê a criação ou estruturação de 12 feiras semanais agroecológicas ou orgânicas. Os espaços deverão ampliar a venda direta entre produtores e consumidores, aproximando a agricultura familiar dos mercados locais.

Municípios e territórios atendidos

As ações serão desenvolvidas nos Territórios de Identidade Bacia do Jacuípe, Piemonte do Paraguaçu, Portal do Sertão, Sertão Produtivo e Sudoeste Baiano.

Serão atendidos os municípios de Anagé, Anguera, Barra do Choça, Caculé, Caetité, Candiba, Condeúba, Encruzilhada, Feira de Santana, Iaçu, Ibiassucê, Ipirá, Irará, Jacaraci, Licínio de Almeida, Nova Fátima, Pé de Serra, Pintadas, Poções, Presidente Jânio Quadros, Riachão do Jacuípe, Santa Bárbara, Santanópolis, Várzea da Roça, Guajerú e Planalto.

Edifício-Sede do Banco Central em Brasília
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Pintadas, Guajerú, Jacaraci, Ibiassucê, Presidente Jânio Quadros e Condeúba foram considerados prioritários pelo BNDES no edital. A seleção levou em conta indicadores como a presença da agricultura familiar, a participação em compras públicas e a disponibilidade de tecnologias sociais de acesso à água.

Impacto esperado

Com a combinação de assistência técnica, infraestrutura, capacitação e novos espaços de comercialização, o projeto busca fortalecer os empreendimentos coletivos e ampliar a produção da agricultura familiar. A expectativa é melhorar as condições de trabalho e renda das famílias atendidas, além de estimular práticas agroecológicas adaptadas ao semiárido.

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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br