Christine Lagarde renuncia à presidência do Banco Central Europeu

Christine Lagarde renuncia à presidência do Banco Central Europeu

Christine Lagarde renunciou nesta quinta-feira (29) à presidência do Banco Central Europeu (BCE), encerrando meses de especulações sobre sua permanência no cargo. Ela deixará a instituição em 7 de fevereiro, prazo que permitirá aos líderes da União Europeia escolherem um sucessor antes da eleição presidencial francesa.

A saída ocorre em um período de elevada volatilidade econômica e de intensificação das disputas políticas na Europa, especialmente na França, país de origem de Lagarde. O BCE enfrenta riscos de aumento da inflação provocados pela alta do petróleo, atribuída no texto à guerra no Irã, enquanto a elevação dos rendimentos dos títulos públicos, principalmente os franceses, ameaça enfraquecer o crescimento.

Decisão e posicionamento de Lagarde

Em um breve vídeo divulgado nas redes sociais, Lagarde, de 70 anos, afirmou deixar a instituição com a avaliação de que realizou um bom trabalho e de que o BCE está preparado para o futuro. Ex-ministra das Finanças da França e ex-diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), ela não explicou publicamente todos os motivos da renúncia.

Uma fonte com conhecimento direto do assunto disse à Reuters que Lagarde decidiu sair para poder se manifestar sobre questões políticas na França e no mundo. Como presidente do BCE, ela deveria manter uma posição neutra para preservar a independência da instituição.

Christine Lagarde renuncia à presidência do Banco Central Europeu
© Stephen Jaffe/EFE/direitos reservados

Lagarde declarou que não será candidata à Presidência da França. Disse, porém, que pretende defender os valores pró-europeus em seu país natal, na função que considerar mais eficaz.

Reações à renúncia antecipada

A decisão provocou avaliações divergentes. Markus Ferber, deputado alemão do Parlamento Europeu pelo Partido Popular Europeu, afirmou que a saída antecipada enviou “o sinal errado” em um momento marcado por inflação elevada, tensão nos mercados de títulos e eleições iminentes.

Segundo Ferber, se a renúncia for interpretada como uma medida planejada para coincidir com as eleições nacionais, a decisão poderá prejudicar a confiança em uma instituição que deve permanecer acima de cálculos políticos internos. Ele integra a comissão parlamentar responsável por confirmar o sucessor de Lagarde.

Marcel Fratzscher, presidente do centro de estudos alemão DIW, apresentou uma leitura diferente. Para ele, Lagarde demonstrou responsabilidade com a Europa ao deixar o posto antes do fim do mandato, oferecendo aos governos e às instituições europeias a oportunidade de nomear alguém capaz de preservar os valores europeus e a independência do BCE.

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Processo para escolha do sucessor

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que o processo de escolha do novo presidente do BCE começará imediatamente. A nomeação poderá ser incluída em um pacote mais amplo de mudanças nos cargos de alta direção da instituição.

Entre as possíveis alterações estão a vaga na diretoria executiva ocupada por Isabel Schnabel, que deixará o cargo no início de janeiro, e a saída do economista-chefe Philip Lane, prevista para maio.

Principais nomes cotados

Os ex-presidentes dos bancos centrais da Holanda e da Espanha, Klaas Knot e Pablo Hernández de Cos, são apontados como os principais candidatos à sucessão. Para Piet Haines Christiansen, economista do Danske Bank, ambos são banqueiros centrais experientes e bem estabelecidos.

Palácio do Itamaraty na Esplanada dos Ministérios
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A avaliação é que a escolha de qualquer um dos dois teria impacto limitado sobre os mercados, devido à reputação já consolidada do BCE e à familiaridade dos investidores com o funcionamento da instituição.

Mercados reagem com cautela

Os mercados financeiros reagiram pouco ao anúncio da renúncia. Analistas observaram que o BCE construiu uma estrutura institucional capaz de manter sua atuação para além de seus presidentes.

Simon Dangoor, chefe de Investimentos Macro de Renda Fixa do Goldman Sachs, afirmou que a instituição está consolidada e que o mercado conhece sua forma de operar. Na avaliação dele, o comportamento institucional do BCE provavelmente continuará mesmo após a saída de Lagarde.

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Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br