Emissões de Gases por Incêndios Alcançam Mínimo Histórico em 2026, Aponta Copernicus

O Copernicus, observatório europeu de monitoramento ambiental, revelou nesta segunda-feira (6) que o primeiro semestre de 2026 registrou a menor emissão global de gases de efeito estufa provenientes de incêndios desde o início da série histórica, em 2003. Entre 1º de janeiro e 30 de junho, as emissões totalizaram menos de 400 megatoneladas de carbono, o que representa uma significativa redução em relação aos números anteriores.

Queda Histórica nas Emissões

Historicamente, as emissões durante o primeiro semestre sempre ultrapassaram um gigaton (bilhão de toneladas) de carbono, e a marca de 500 megatoneladas nunca havia sido quebrada. Os dados do Sistema Global de Assimilação de Incêndios (GFAS) indicam que essa diminuição nos níveis de poluição atmosférica é fortemente influenciada pela redução dos incêndios sazonais na África tropical.

Impactos Regionais e Comparativos

No primeiro semestre de 2026, a África emitiu aproximadamente 154 megatoneladas de carbono, uma queda em relação a 213 megatoneladas no mesmo período do ano anterior. A Ásia também apresentou uma redução, passando de 164 para 113 megatoneladas. Em contrapartida, a América do Sul, que geralmente registra emissões inferiores, viu seus números cair de 40,9 para 38,8 megatoneladas, apesar de ter enfrentado incêndios significativos, especialmente nas regiões de Biobío, no Chile, e Chubut, na Patagônia argentina.

Riscos Futuros com o El Niño

Apesar do recorde positivo, Mark Parrington, cientista sênior do Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus, alertou sobre os riscos associados ao fenômeno El Niño. Ele destacou que as condições climáticas previstas podem elevar as emissões globais, como observado em anos anteriores, como 2015 e 2019, quando a queima de biomassa na Indonésia resultou em uma degradação significativa da qualidade do ar na região.

Tecnologia de Monitoramento Avançada

O sistema de monitoramento do Copernicus utiliza dados obtidos por satélites para calcular as emissões de carbono e outros poluentes associados a incêndios florestais. A previsão da evolução das emissões é aprimorada por meio da integração de informações do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), fornecendo um panorama abrangente sobre a situação climática e suas consequências.

Conclusão

Os dados apresentados pelo Copernicus sobre as emissões de gases de efeito estufa refletem um avanço significativo na luta contra as mudanças climáticas, evidenciando uma tendência de queda. Contudo, a vigilância contínua é essencial, especialmente com a possibilidade de influências climáticas adversas que podem reverter esses progressos. A colaboração internacional e o uso de tecnologia avançada serão cruciais para monitorar e mitigar os impactos dos incêndios no futuro.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br