Eleição em Israel pode encerrar 19 anos de Netanyahu no poder

Eleição em Israel pode encerrar 19 anos de Netanyahu no poder

Cerca de 7 milhões de israelenses vão às urnas nesta terça-feira (27), na primeira eleição realizada no país desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. A disputa pode tirar Benjamin Netanyahu do cargo de primeiro-ministro, mas a oposição enfrenta dificuldades para formar uma maioria sem o apoio de partidos árabes.

Três forças de direita aparecem entre as favoritas

Entre os principais candidatos estão Netanyahu, que soma 19 anos no poder à frente do Likud, o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Gadi Eisenkot, do partido Yashar, e uma coalizão liderada por Naftali Bennett, do partido Juntos (Beyahad). Os três são considerados linha-dura em temas militares e de segurança.

Nenhum dos favoritos admite a possibilidade de criação de um Estado palestino, e todos defendem o desarmamento do Hamas. A principal diferença entre eles nessa área está na posição sobre a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia.

Como a votação é feita em cédulas de papel, o resultado só deve ser conhecido no fim desta quarta-feira (28). Depois da divulgação dos votos, a formação de uma coalizão será decisiva para definir quem conseguirá governar.

Eleição em Israel pode encerrar 19 anos de Netanyahu no poder
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Oposição critica condução da guerra em Gaza

Gadi Eisenkot integrou o gabinete de guerra criado após o ataque de 7 de outubro, mas deixou o governo Netanyahu e passou a criticar a condução da operação militar na Faixa de Gaza. O ex-general acusa o primeiro-ministro de ter negligenciado o resgate dos reféns e de não ter adotado medidas para impedir o ataque, embora tivesse sido alertado previamente sobre a ação do Hamas. Netanyahu nega as acusações.

Naftali Bennett também tenta voltar ao cargo de primeiro-ministro. Com perfil religioso, ele governou Israel por um ano, entre 2021 e 2022, e agora lidera uma coalizão de partidos que busca reunir votos suficientes para superar o Likud.

Candidatos têm posições semelhantes sobre segurança

Para Karina Stange Calandrin, professora de relações internacionais do Ibmec de São Paulo, Eisenkot e Bennett mantêm posições próximas às de Netanyahu em relação à segurança e à política militar.

“Os três são de direita. Em termos de segurança, eles são bem parecidos. São partidos que a gente chama de falcões. Em Israel, os partidos são divididos entre falcões e pombas. Os falcões acreditam que se deve lidar com os inimigos de uma forma dura, que negociações e diplomacia não são o caminho para resolver os dilemas de Israel”, explicou.

KHAN YUNIS, GAZA - APRIL 07: A woman cries on rubble of a collapsed building after Israeli forces' withdrawal from Khan Yunis, Gaza on April 07, 2024. Israeli Defense Minister Yoav Gallant said Sunday evening that troop withdrawal from Khan Younis city is part of preparations to launch a ground attack on Rafah city in the southern tip of the Gaza Strip. Jehad Alshrafi / AnadoluNo Use USA No use UK No use Canada No use France No use Japan No use Italy No use Australia No use Spain No use Belgium No use Korea No use South Africa No use Hong Kong No use New Zealand No use Turkey
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O professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Michel Gherman avalia, porém, que Netanyahu se diferencia dos adversários por representar uma extrema-direita com um projeto autoritário para Israel.

“As diferenças fundamentais têm a ver com a posição em relação à democracia representativa. O Netanyahu é a favor de uma reforma que tiraria a autonomia completa do Judiciário e concentraria o poder na mão do Executivo”, afirmou.

Estado palestino perde apoio após o ataque de 7 de outubro

Os três partidos favoritos rejeitam a criação de um Estado palestino, embora essa seja uma solução prevista pelo direito internacional. Segundo Karina Calandrin, a proposta perdeu apoio entre os israelenses depois do ataque do Hamas.

Displaced Families Endure Difficult Living Conditions in Gaza Displaced Palestinian families continue to live in tents and temporary shelters in the Gaza Strip on October 5, 2026, amid widespread destruction of homes and infrastructure and difficult humanitarian conditions, with limited access to adequate housing, water and other basic services. Photo by Belal Osama apaimages Gaza Gaza Strip Palestinian Territory 051026_Gaza_BO_006 Copyright: xapaimagesxBelalxOsamaxxapaimagesx No Use Switzerland. No Use Germany. No Use Austria
Displaced Families Endure Difficult Living Conditions in Gaza Displaced Palestinian families continue to live in tents and temporary shelters in the Gaza Strip on October 5, 2026, amid widespread destruction of homes and infrastructure and difficult humanitarian conditions, with limited access to adequate housing, water and other basic services. Photo by Belal Osama apaimages Gaza Gaza Strip Palestinian Territory 051026_Gaza_BO_006 Copyright: xapaimagesxBelalxOsamaxxapaimagesx No Use Switzerland. No Use Germany. No Use Austria

“Hoje, na sociedade israelense, o Estado palestino perdeu muito apoio desde o 7 de outubro. Qualquer candidato que tenha a bandeira do Estado palestino não vai ganhar muitos votos”, disse.

Assentamentos na Cisjordânia dividem os partidos

Apesar da convergência sobre a rejeição a um Estado palestino, os candidatos divergem em relação aos assentamentos israelenses na Cisjordânia. Essa política ganhou força com o apoio dos partidos de extrema-direita que integram a coalizão de Netanyahu.

A professora afirma que os partidos dos ministros Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich têm incentivado assentamentos na Área B da Cisjordânia, prática que, segundo ela, é proibida pela legislação israelense. Na avaliação da especialista, esse apoio contribui para o aumento da violência, com invasões de terras palestinas e expulsão de famílias diante da tolerância do governo Netanyahu.

A eleição, portanto, não deve definir apenas a permanência ou a saída de Netanyahu. O resultado também poderá determinar o futuro da política israelense para os assentamentos, o equilíbrio entre os poderes e a condução das ações militares e de segurança.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br