Desafios da Seca e Inundações na América Latina: Vozes da COP17

Na Amazônia peruana, a seca não é apenas uma questão ambiental, mas uma ameaça às culturas e conhecimentos ancestrais, como destaca o indígena shipibo-konibo Gilmer Yuimachi. Sua preocupação ecoa entre diversas comunidades da América Latina, que enfrentam desafios semelhantes em um cenário cada vez mais crítico. A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), encerrada recentemente em Ulaanbaatar, Mongolia, trouxe à tona essas realidades, revelando a necessidade urgente de transformar compromissos internacionais em ações concretas.

Impactos da Seca em El Salvador

A jovem líder Xenia López, atuando em El Salvador, relata os desafios enfrentados por comunidades que vivem no Corredor Seco Centro-Americano. Essa área, que se estende do sul do México até o oeste do Panamá, é particularmente vulnerável à irregularidade das chuvas. "Existem regiões que enfrentam longos períodos de seca, enquanto em outras épocas, o calor intenso se agrava. Quando deveria chover, a terra permanece seca", explica Xenia, enfatizando a gravidade da situação.

Práticas Agroecológicas como Solução

Para lidar com a falta de água e a degradação do solo, Xenia tem promovido práticas agroecológicas em 16 comunidades rurais e semi urbanas. Essa abordagem não apenas melhora o uso da água, mas também protege o solo contra a exploração excessiva. "A agroecologia nos permite utilizar a água de forma mais eficiente e tratar o solo como um recurso a ser preservado", afirma a líder, que busca soluções sustentáveis em meio a dificuldades crescentes.

Desafios Institucionais e Necessidade de Apoio

Apesar dos esforços locais, Xenia ressalta a falta de apoio das autoridades e de organismos internacionais. Os governos de El Salvador e Nicarágua são citados como hostis, dificultando a reivindicação de políticas mais estruturadas. Para muitos participantes da COP17, esses eventos são cruciais para construir redes de apoio e aumentar a visibilidade das lutas locais. "No evento, tivemos o apoio do Brasil, que nos proporcionou um espaço para compartilhar nossas histórias e desafios", conta Xenia.

Inundações no Chaco Americano

Na Argentina, a professora e ativista Antonella Sleiman relata uma realidade oposta no Chaco Americano. Tradicionalmente afetada pela seca, a região do Rio Salado Norte enfrentou, neste ano, inundações sem precedentes. Comunidades que aprenderam a lidar com a escassez de água agora se veem forçadas a adaptar-se a um novo cenário. "As inundações foram tão severas que não eram vistas há cerca de 50 anos", observa Antonella, que destaca as perdas significativas nas plantações e na vegetação local.

A Necessidade de Respostas Eficazes

As experiências de Xenia e Antonella ilustram como as comunidades da América Latina estão na linha de frente das mudanças climáticas. Ambas as líderes enfatizam a importância de soluções que vão além das práticas locais, clamando por um compromisso mais robusto de governos e instituições internacionais. O fortalecimento das vozes locais e a implementação de políticas eficazes são cruciais para enfrentar as adversidades impostas pela seca e inundações, garantindo um futuro sustentável para essas regiões.

Conclusão

As histórias compartilhadas durante a COP17 refletem uma realidade alarmante que vai além das fronteiras nacionais. A necessidade de ação coordenada e efetiva é urgente, pois comunidades inteiras dependem da terra e da água para sua sobrevivência. As vozes de líderes como Gilmer Yuimachi, Xenia López e Antonella Sleiman são fundamentais para moldar um futuro em que o respeito pelo meio ambiente e a preservação dos saberes tradicionais sejam prioridades. A transformação das promessas internacionais em ações concretas será o verdadeiro teste de compromisso dos países em relação à luta contra a desertificação e suas consequências.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br