As denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho aumentaram mais de 75% desde segunda-feira (26), um dia após o segundo turno das eleições. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), foram registrados 1.459 novos casos nos últimos três dias, elevando para 3.396 o total de denúncias recebidas em 2026.
Até a manhã de segunda-feira, o órgão contabilizava 1.937 ocorrências. Desde então, a procura pelo MPT cresceu rapidamente, e os novos registros correspondem a cerca de 40% de todas as denúncias recebidas ao longo do ano. Até a manhã de segunda, o órgão havia recebido 1.937 denúncias do tipo.
São Paulo concentra maior número de denúncias
São Paulo lidera a lista de estados com 620 denúncias. Em seguida aparecem Minas Gerais, com 351; Paraná, com 338; Rio de Janeiro, com 252; Rio Grande do Sul, com 223; e Santa Catarina, com 165 registros.

Os dados foram divulgados em meio à multiplicação de relatos sobre empregadores que incentivam boicotes, pressionam funcionários ou ameaçam demitir pessoas por terem votado em candidato diferente daquele apoiado pela empresa.
Assédio eleitoral: saiba como denunciar crime mesmo após eleições.
Decisões judiciais e possíveis sanções
Na terça-feira (27), a Justiça do Trabalho concedeu liminar proibindo a deputada estadual Índia Armelau (PL-RJ) de incentivar empregadores a discriminar, demitir ou perseguir trabalhadores por suas convicções políticas. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 5 mil.

A medida ocorreu após a parlamentar publicar uma mensagem dirigida a empresários, sugerindo que verificassem as redes sociais dos funcionários para identificar quem havia votado no presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. Índia Armelau foi reeleita com mais de 248 mil votos e tem mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais. A Justiça do Trabalho proibiu, em liminar, que a deputada estadual Índia Armelau (PL-RJ) incentive empregadores a discriminar, demitir ou perseguir trabalhadores por suas convicções políticas.
Na quarta-feira (28), o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o governo estuda criar uma “lista suja” de empresas envolvidas em assédio eleitoral. A proposta incluiria casos de pressão ou demissão motivadas por preferência política e poderia restringir o acesso dessas empresas a créditos públicos. Governo estuda restringir crédito a empresas por assédio eleitoral.
O que caracteriza o assédio eleitoral
O assédio eleitoral no trabalho é crime e ocorre quando alguém usa uma posição de poder para influenciar, constranger ou pressionar trabalhadores a votar, deixar de votar ou apoiar determinado candidato, partido ou posicionamento político.

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, afirmou que os casos atingem tanto trabalhadores assalariados quanto profissionais autônomos que divulgam seus serviços pelas redes sociais. Pequenos estabelecimentos comerciais que manifestaram publicamente uma posição política também estão entre os envolvidos nos relatos.
Segundo o presidente do TST, a resposta do Judiciário será rápida e rigorosa. Ele alertou que empregadores envolvidos nesse tipo de conduta podem assumir um risco econômico elevado.
Direitos do trabalhador discriminado
O trabalhador que se considerar discriminado por sua posição política pode processar o empregador e pedir indenização. A Lei 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias ou limitativas para acesso ou manutenção da relação de trabalho.

Em caso de condenação, o empregador pode ser obrigado a reintegrar o funcionário. Se o trabalhador não quiser retornar ao emprego, poderá receber em dobro os salários correspondentes a todo o período de afastamento.
A proteção contra a discriminação por convicção política também está prevista em diferentes dispositivos da Constituição Federal e nas Convenções 100 e 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ambas ratificadas pelo Brasil.
Resposta institucional
O aumento das denúncias mobiliza órgãos de fiscalização, Justiça do Trabalho e governo federal. Além das ações judiciais e das possíveis indenizações, estão em discussão medidas administrativas e econômicas para responsabilizar empresas que utilizem o poder empregatício para interferir na liberdade política dos trabalhadores.
Links e documentos citados
- Entidades estimulam domésticas a denunciar assédio eleitoral
- Radioagência Valdemar Costa Neto diz que não gostou da carta publicada por Flávio
- Rádios
- TV Brasil Thales Bretas fala do legado de Paulo Gustavo
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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