Decisão Judicial Mantém Cobrança de Imposto sobre Exportações de Petróleo

O desembargador federal Roberto Carvalho Veloso, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), tomou uma decisão importante nesta terça-feira, 1º de setembro. Ele revogou a liminar emitida pela 17ª Vara Federal do Distrito Federal, que suspendia a cobrança de um imposto de 12% sobre as exportações de óleo bruto de petróleo e minerais betuminosos.

Contexto da Decisão

A decisão judicial ocorreu em resposta a um recurso apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU). A AGU argumentou que a liminar que suspendia a cobrança do imposto era indevida, ressaltando a legalidade do ato administrativo do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), que estabeleceu a alíquota de 12% em julho. Essa medida foi uma reação ao fim da validade da Medida Provisória (MP) 1.340/2026, que havia sido editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para compensar a redução de tributos federais sobre o diesel, em resposta à alta internacional de combustíveis.

Impactos da Alta de Combustíveis

A escalada nos preços do petróleo foi exacerbada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para a exportação de petróleo, devido a tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã. Diante dessa situação, o governo brasileiro implementou a MP que, além da nova taxa de exportação, incluiu um subsídio de R$ 0,32 por litro de diesel e medidas para reforçar a fiscalização contra aumentos abusivos nos preços dos combustíveis.

Argumentos da Ação Judicial

A suspensão do imposto foi solicitada pela Associação Brasileira de Empresas de Exploração e de Produção de Petróleo e Gás (Abep), que alegou que a resolução do Gecex-Camex era, na prática, uma repetição da cobrança que o Congresso havia deixado caducar ao final da MP. O juiz Diego Câmara, da 17ª Vara Federal, concordou com esse ponto de vista, considerando o ato da Camex uma 'burla ao devido processo legislativo'.

Refutação e Justificativas do Desembargador

Ao revisar o caso, o desembargador Veloso contestou a interpretação de descumprimento da Constituição. Ele afirmou que a proibição se aplicaria apenas se o governo editasse uma nova MP com conteúdo similar, o que não era o caso de um ato administrativo do Gecex-Camex, que tem a competência de deliberar sobre tributos regulatórios. O magistrado enfatizou que a possibilidade do Executivo alterar alíquotas do imposto de exportação já existia antes da MP e continuaria a existir após sua vigência.

Consequências da Decisão

Veloso também alertou que a suspensão do imposto poderia causar danos à economia e ao planejamento estatal, especialmente em um contexto de instabilidade internacional. Além disso, a decisão poderia ter um efeito multiplicador em todo o território nacional, levando a ações semelhantes em outras regiões. Com isso, a cobrança do imposto sobre as exportações de petróleo e minerais betuminosos foi prorrogada por mais 60 dias a partir de 8 de setembro.

Arrecadação e Próximos Passos

A Receita Federal informou que a arrecadação proveniente do imposto de exportação sobre petróleo atingiu R$ 7,98 bilhões até julho deste ano. A decisão do TRF1 ainda pode ser contestada, o que deixa em aberto a possibilidade de novos desdobramentos legais sobre o tema.

Conclusão

A decisão do desembargador Roberto Carvalho Veloso reafirma a capacidade do governo de regular a tributação sobre exportações em resposta a crises globais, além de ressaltar os desafios enfrentados pelo setor de petróleo e gás no Brasil. O desfecho desse caso pode influenciar as políticas fiscais futuras e a dinâmica do comércio exterior, especialmente em um cenário econômico conturbado.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br