Cúpula do Brics em Nova Delhi: Desafios e Oportunidades em Tempos de Conflito

Neste fim de semana, a Índia será a anfitriã da Cúpula dos Líderes do Brics, programada para os dias 12 e 13 de setembro em Nova Delhi. Este encontro tem como meta aumentar a visibilidade do bloco no cenário internacional, em um contexto marcado por tensões geopolíticas, especialmente devido à guerra liderada pelos Estados Unidos contra o Irã. Tal situação resulta em divisões entre os membros do Brics, com Teerã e Abu Dhabi em lados opostos do conflito.

Conflitos e Implicações Econômicas

As recentes hostilidades nos últimos meses têm afetado diretamente a dinâmica comercial global. O fechamento do Estreito de Ormuz, um dos principais corredores de transporte de petróleo, provocou um aumento significativo nos preços do barril, que ultrapassaram a marca de US$ 100. Em resposta aos ataques iranianos, os Emirados Árabes Unidos suspenderam suas transações comerciais e financeiras com o Irã, refletindo a gravidade da crise.

Desafios para a Coesão do Brics

O principal desafio para os líderes do Brics será a formulação de uma posição conjunta sobre a crise no Oriente Médio, que seja aceitável tanto para Abu Dhabi quanto para Teerã. Especialistas em política externa alertam que, embora uma declaração conjunta seja improvável, sua elaboração pode demonstrar a capacidade do bloco de se unir em torno de questões que impactam suas economias, especialmente frente às sanções ocidentais.

Participantes de Peso na Cúpula

O evento contará com a presença de líderes influentes, como o presidente chinês Xi Jinping, que fará sua primeira visita à Índia em sete anos, e o presidente russo Vladimir Putin. Além deles, estarão presentes o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, o egípcio Abdel Fattah al-Sisi e o indonésio Prabowo Subianto. O príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeque Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, também representará os Emirados Árabes Unidos.

Reflexões sobre a Expansão do Brics

A recente ampliação do Brics, que agora inclui Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia, tem gerado debates sobre a eficácia do grupo em um cenário de visões divergentes entre seus membros. Michael Kugelman, especialista do Atlantic Council, aponta que, embora a expansão reflita um crescente apelo do Brics, as divergências podem comprometer a eficácia da entidade, que tradicionalmente opera com base no consenso.

Perspectivas Futuras

A expectativa é que a cúpula em Nova Delhi possa estabelecer um clima de cooperação e diálogo, apesar dos desafios. Enquanto alguns membros enfrentam tensões internas, a experiência recente da Organização de Cooperação de Xangai, que conseguiu um acordo sobre o Irã, oferece um modelo de como é possível chegar a um entendimento em meio a divergências. A habilidade do Brics de se adaptar e encontrar um terreno comum será crucial para sua relevância futura no cenário global.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br