Governo estuda restringir crédito público de empresas acusadas de assédio eleitoral

Governo estuda restringir crédito público de empresas acusadas de assédio eleitoral

O governo federal estuda criar uma lista de empresas envolvidas em assédio eleitoral e restringir o acesso dessas companhias a créditos públicos. A medida foi anunciada nesta quarta-feira (28), durante uma coletiva que reuniu representantes do Ministério do Trabalho e Emprego, do Ministério Público do Trabalho (MPT), do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Ministério da Justiça.

A iniciativa ocorre após o registro de 3.080 denúncias de assédio eleitoral desde o início da campanha. Segundo o MPT, 1.140 delas foram recebidas nos três dias anteriores à coletiva. As denúncias envolvem práticas como pressão sobre trabalhadores, demissões, recusa de contratação e outras formas de constrangimento relacionadas à posição política.

Lista de empresas e restrição de crédito

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que a proposta é divulgar uma “lista suja” de empresas que cometerem ilegalidades contra trabalhadores por motivos políticos. Além das providências judiciais e administrativas cabíveis, as companhias incluídas poderão sofrer restrições para obter crédito público.

De acordo com Marinho, o Banco Central comunicaria à rede financeira quais empresas violaram o princípio democrático da livre escolha dos representantes. O ministro ressaltou que a medida ainda está em estudo e que o objetivo é dar visibilidade às condutas consideradas ilegais.

Governo estuda restringir crédito público de empresas acusadas de assédio eleitoral
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Uma força-tarefa também foi criada para combater o assédio eleitoral. “O trabalhador tem o direito democrático garantido na nossa Constituição de ter o direito à sua opção política”, afirmou o ministro, destacando que a resposta do Estado não será direcionada a um grupo político específico.

MPT registra aumento de denúncias

O procurador regional do trabalho Maurício Coentro Pais de Mello informou que quase 30% das 3.080 denúncias contabilizadas desde o começo da campanha foram apresentadas nos três dias posteriores ao processo eleitoral. Para ele, o volume representa uma preocupação significativa e mostra que os casos continuam sendo identificados mesmo depois da votação.

As denúncias podem ser encaminhadas ao Ministério do Trabalho e Emprego ou ao Ministério Público do Trabalho. O MPT mantém informações e orientações sobre o tema na página Ministério Público do Trabalho. Também está disponível o conteúdo Assédio eleitoral: saiba como denunciar crime mesmo após eleições.

TST alerta para risco econômico

O presidente do TST, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, afirmou que o assédio eleitoral atinge trabalhadores assalariados e autônomos. Entre os casos mencionados estão profissionais que divulgam seus serviços nas redes sociais, trabalhadores de pequenos estabelecimentos comerciais e pessoas ligadas a propriedades que manifestaram publicamente sua posição política.

Brasília (DF)21/10//2026 TRE prepara as urnas eletrônicas para o 2º turno das eleições e faz demonstração de teste de integrigade do equipamento e de votação Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF)21/10//2026 TRE prepara as urnas eletrônicas para o 2º turno das eleições e faz demonstração de teste de integrigade do equipamento e de votação Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O presidente do tribunal declarou que a resposta às condutas ilegais será rápida e rigorosa. Ele também advertiu que empregadores envolvidos nesse tipo de prática podem assumir um risco econômico elevado, em razão das consequências judiciais e administrativas.

Luiz Marinho classificou a eleição como o período com o maior volume de problemas relacionados a assédio e violência eleitoral. “Se tiver mau empresário, terá a mão pesada do Estado”, afirmou.

Responsabilidade das plataformas digitais

O secretário executivo do Ministério da Justiça, Adhemar Borges, chamou atenção para o papel das plataformas digitais na prevenção e no combate a conteúdos ilícitos relacionados à violência, ao racismo, à discriminação e à violência contra a mulher.

Segundo Borges, em situações envolvendo crimes mais graves, as plataformas têm o dever de retirar proativamente o conteúdo ilícito, independentemente de uma notificação feita pelas vítimas ou pelos usuários. Ainda assim, os usuários podem comunicar diretamente as empresas para solicitar a remoção dentro do prazo previsto.

Montes Claros (MG), 24/10/2026 - A vereadora do PT de Montes Claros, em Minas Gerais, Iara Pimentel ficou gravemente ferida após sofrer um ataque de bolsonaristas na noite deste sábado (24), quando participava de uma carreata em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). caiu desmaiada após o ataque de bolsonaristas com pedras e garrafas. Reprodução: X/Cláudio Castro
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O governo informou que há registros de casos nas relações de trabalho que expressam diferentes formas de opressão, assédio e constrangimento à liberdade dos trabalhadores. A apuração dessas ocorrências será reforçada pelas instituições envolvidas.

Canais de informação e acompanhamento

A cobertura da Agência Brasil reúne informações sobre as medidas anunciadas e seus impactos. O tema também se relaciona a ações anteriores de investigação de violência política, como a iniciativa descrita em Governo reforçará investigações de violência política no segundo turno.

Outros conteúdos disponibilizados pela EBC incluem a programação das Rádios, a Radioagência e reportagens da TV Brasil.

As autoridades reforçaram que a liberdade de escolha política é um direito constitucional e que empresas não podem pressionar, punir ou deixar de contratar trabalhadores por causa de suas opiniões. A eventual restrição de crédito público e a divulgação de uma lista de empresas dependerão da definição dos mecanismos de implementação pelo governo.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br