COP17: Frustração e Descontentamento nas Discussões sobre Secas

A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), encerrada em 28 de outubro em Ulaanbaatar, capital da Mongólia, deixou um rastro de descontentamento entre especialistas e organizações ambientais. Palavras como 'inacreditável' e 'frustrante' foram amplamente utilizadas para descrever a falta de progresso nas negociações sobre a crise das secas, uma questão que afeta diversas comunidades ao redor do mundo.

Adiantamento de Decisões Cruciais

Um dos principais pontos de decepção foi o adiamento das discussões sobre um acordo global para enfrentar as secas, que foi transferido para a próxima COP18, marcada para ocorrer no Egito. Rafael Giovanelli, especialista do Instituto Escolhas, criticou essa decisão, afirmando que os governos falharam em agir diante de uma crise que requer atenção imediata. "A COP termina sem decisões substanciais para lidar com as secas", lamentou.

Impacto Global e Crescimento de Desastres

O aumento da frequência e intensidade de desastres ambientais foi um ponto destacado por Richard Lee, representante da Wetlands Internacional. Ele comentou sobre a grave seca que afeta a Europa e os níveis alarmantemente baixos de água no Rio Colorado, nos Estados Unidos. Lee enfatizou que a situação atual deveria ser um incentivo para que os países se unissem em ações concretas, mas lamentou que a resposta foi a postergação. "Adiar a decisão sobre as secas em mais dois anos custará mais do que tempo", advertiu.

A Necessidade de Ação Conjunta

Christine Colvin, especialista em políticas de água da WWF Global, ressaltou a importância de uma abordagem colaborativa entre governos, sociedade civil e instituições financeiras. Embora reconheça a necessidade de iniciativas isoladas, Colvin enfatizou que estas não são suficientes para lidar com a gravidade da crise hídrica. "É profundamente frustrante que a ambição sobre a seca tenha se esvaziado na COP17", afirmou.

Propostas de Acordos e Financiamentos

Um mecanismo multilateral para enfrentar as secas tem sido defendido por representantes africanos em várias conferências anteriores, dado que o continente é um dos mais afetados por essa problemática. No entanto, a resistência de países desenvolvidos em se comprometer com acordos vinculativos tem sido um obstáculo. Enquanto isso, iniciativas paralelas, como o Mecanismo de Investimento para Resiliência à Seca (DRIF), foram lançadas durante a COP17, buscando mobilizar recursos significativos para enfrentar o desafio das secas.

Iniciativas Inovadoras e Futuras Direções

A COP17 também viu a apresentação da segunda fase do Observatório Internacional de Resiliência à Seca (IDRO), que introduziu o primeiro Índice de Resiliência à Seca (DRI). Esta ferramenta visa ajudar os países a medir sua capacidade de se preparar e se adaptar a períodos de escassez de água, oferecendo uma base para futuras ações. Apesar das frustrações, a esperança permanece de que esses esforços possam conduzir a uma resposta mais eficaz no futuro.

O evento em Ulaanbaatar pode ter encerrado sem as decisões esperadas, mas a necessidade de uma ação global coordenada contra as secas é mais urgente do que nunca. Especialistas e representantes de diversas organizações continuam a clamar por um compromisso significativo que priorize a sustentabilidade e a resiliência das comunidades afetadas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br