Brasil Define Metas para Neutralidade da Degradação da Terra até 2030

Na última terça-feira, 25 de outubro, o Brasil anunciou suas primeiras metas para alcançar a Neutralidade da Degradação da Terra (LDN). O compromisso envolve a restauração de mais de 163 mil quilômetros quadrados de áreas degradadas até 2030, uma ação apresentada durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) em Ulaanbaatar, Mongólia.

Iniciativas de Restauração e Conservação

Para atingir esse ambicioso objetivo, o governo brasileiro planeja implementar várias iniciativas, incluindo a recuperação da vegetação nativa e o investimento em sistemas agroflorestais. Além disso, ações serão desenvolvidas em unidades de conservação, territórios indígenas, áreas de proteção permanente e bacias hidrográficas. Essas medidas visam não apenas restaurar a natureza, mas também garantir a manutenção de terras saudáveis e produtivas no país.

Compromissos e Referências

O Brasil baseia suas metas no cenário de 2020, quando tinha aproximadamente 55,7 milhões de hectares em risco de degradação. Com isso, o país se compromete a manter ou aumentar essa área saudável até 2030. Além disso, outras ações de prevenção, conservação e manejo sustentável estão previstas para uma área adicional de 3,51 milhões de quilômetros quadrados, totalizando 3,67 milhões de quilômetros quadrados em compromissos de LDN.

Impacto e Importância da Iniciativa

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destacou a proatividade do Brasil em relação à convenção internacional, enfatizando a crescente necessidade de cooperação global para enfrentar a desertificação. Segundo ele, a degradação da terra e a seca estão aumentando em diversas partes do mundo, o que torna a ação conjunta crucial.

Reconhecimento Internacional

Laura Meza, representante regional da UNCCD na América Latina e Caribe, comentou que a meta brasileira posiciona a região como uma das mais comprometidas com a sustentabilidade do solo globalmente. Ela ressaltou que a restauração não apenas traz benefícios ambientais, mas também impacta a agricultura e a vida das pessoas, destacando a interconexão entre esses elementos.

Desafios e Atrasos no Cumprimento das Metas

Apesar do compromisso, o Brasil apresentou suas metas com quase uma década de atraso, já que o conceito de LDN foi formalizado pela ONU em 2015 e o processo de envio de metas começou em 2017. A Política Nacional de Combate à Desertificação foi instituída em 2015, mas a Comissão Nacional de Combate à Desertificação enfrentou períodos de inatividade e foi reestruturada apenas em 2024.

Conclusão

O anúncio das metas de Neutralidade da Degradação da Terra pelo Brasil representa um passo significativo em direção à sustentabilidade e à conservação ambiental. Com ações concretas e um compromisso renovado, o país não apenas busca restaurar suas terras, mas também se posicionar como um líder global em iniciativas de proteção ao meio ambiente, incentivando outros países a seguirem seu exemplo.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br