Bolívia decreta estado de emergência por seca e inundações associadas ao super El Niño

Bolívia decreta estado de emergência por seca e inundações associadas ao super El Niño

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou no sábado (31) a decretação de estado de emergência no país diante dos impactos provocados pelas secas e inundações associadas ao super El Niño. A medida permitirá mobilizar mais recursos financeiros e equipes de socorro para as áreas consideradas críticas.

Seca atinge milhares de famílias

De acordo com o relatório mais recente do Ministério da Defesa Civil, publicado na semana passada, a seca afeta pouco mais de 78 mil famílias em seis dos nove departamentos bolivianos. O fenômeno também provocou a perda de mais de 75 mil cabeças de gado.

Paz afirmou que o super El Niño deverá provocar impactos severos tanto pela falta de chuvas quanto pelo excesso de precipitações. O presidente pediu a cooperação de todas as instituições para enfrentar o cenário e ampliar a resposta nas regiões afetadas.

Bolívia decreta estado de emergência por seca e inundações associadas ao super El Niño
© REUTERS/Claudia Morales/Proibida Reprodução

Fenômeno pode superar escalas de monitoramento

A Organização das Nações Unidas alertou nesta semana que o episódio do El Niño poderá alcançar uma intensidade sem precedentes, ultrapassando as escalas de monitoramento climático utilizadas há quatro décadas. A avaliação foi destacada em uma análise sobre a possibilidade de o fenômeno estar entre os mais fortes dos últimos 40 anos, disponível em relatório publicado pela Agência Brasil.

Outro painel climático indicou que o evento pode figurar entre os mais intensos desde 1950. O aquecimento das águas do Pacífico equatorial central e oriental altera os padrões de ventos, pressão atmosférica e precipitação em diferentes partes do mundo.

Tempestade tropical Rachel e as ondas de Kelvin, impulsionadas pelo El Niño, atingem o calçadão de Long Beach, na Califórnia 10 de outubro de 2026 REUTERS/David Swanson
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Efeitos também atingem países vizinhos

No Peru, o aumento das temperaturas associado ao El Niño favoreceu a ocorrência de incêndios florestais, que já deixaram pelo menos 12 mortos. O fenômeno também contribuiu para a disseminação da dengue, doença tropical que provocou mais 81 mortes em 2026.

No Chile, o El Niño esteve associado ao outubro mais chuvoso já registrado em Santiago, evidenciando a variedade de efeitos que o fenômeno pode produzir em diferentes regiões da América do Sul.

Como funciona o El Niño

O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre no Oceano Pacífico em intervalos de dois a sete anos. Durante o evento, as águas superficiais do centro e do leste do Pacífico equatorial se aquecem a partir da primavera.

Brasília (DF), 18/06/2026 – EL NIÑO NO OCEANO. Ilustração Nottus/Divulgação
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Nos meses seguintes, esse aquecimento modifica os regimes de ventos, pressão e precipitação em escala mundial. Na Bolívia, os efeitos atuais combinam períodos de seca, prejuízos à criação de animais e risco de inundações, levando o governo a reforçar a mobilização de recursos e equipes de emergência.

A declaração de emergência busca ampliar a capacidade de resposta do Estado diante da deterioração das condições climáticas. O alcance dos impactos dependerá da evolução do fenômeno e da intensidade das chuvas e estiagens nas áreas mais vulneráveis.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br