Polícia entra em confronto com manifestantes durante protestos em Lyon, na França

Polícia entra em confronto com manifestantes durante protestos em Lyon, na França

A polícia de choque lançou gás lacrimogêneo e avançou contra manifestantes nesta quinta-feira (5), em Lyon, na França. O confronto ocorreu durante uma mobilização nacional de funcionários públicos, sindicatos e grupos estudantis contra o custo de vida, as condições dos serviços públicos e os problemas na educação.

Os protestos representam um novo desafio ao presidente Emmanuel Macron, após semanas de agitação no país. Em Lyon, alguns participantes gritaram slogans contra a polícia, enquanto outros usavam roupas pretas e cobriam o rosto. Uma faixa exibida no ato dizia: “Alunos do ensino médio, aposentados, estudantes, trabalhadores, todos juntos. A união vence”.

Manifestações foram convocadas por sindicatos

A greve foi convocada por organizações sindicais, entre elas a CGT, de esquerda, e recebeu apoio de grupos estudantis. Segundo a presidente da CGT, Sophie Binet, manifestações estavam previstas em 260 cidades francesas. “Precisamos sair em grande número às ruas hoje”, disse ela à emissora LCI.

Os atos começaram pela manhã em Lyon e também foram registrados em cidades como Marselha e Nantes. Em Paris, o principal protesto estava programado para as 14h, no horário local, na Place de la République. Estudantes do ensino médio e outros manifestantes bloquearam uma rua da capital usando lixeiras e enfrentaram a polícia de choque.

Polícia entra em confronto com manifestantes durante protestos em Lyon, na França
© REUTERS/Stephane Mahe/ Proibido reprodução

Incêndio e mobilização policial

Uma escola de ensino médio próxima a Toulouse, no sudoeste da França, foi incendiada na manhã desta quinta-feira, informou a emissora BFM TV. O episódio ocorreu no mesmo dia em que estudantes e trabalhadores participavam de manifestações em diferentes regiões do país.

As autoridades mobilizaram cerca de 70 mil policiais em todo o território francês. A operação foi reforçada depois dos tumultos e saques registrados em 17 de outubro, que surpreenderam as forças de segurança, provocaram danos a lojas e prédios públicos e aumentaram as críticas à resposta do governo de Macron.

O serviço de inteligência interno estimou que entre 500 mil e 700 mil pessoas poderiam participar das manifestações nos arredores de Paris. Apesar da paralisação, não foram registrados problemas graves na rede de transporte. A greve, contudo, já havia contribuído para reduzir a produção de energia nuclear do país.

Impactos na educação e no turismo

O Ministério da Educação informou que pouco mais de 15% dos professores franceses aderiram à greve. Estudantes afirmam que as condições das escolas e a crescente incerteza em relação ao futuro continuam entre suas principais preocupações.

Em Paris, a Torre Eiffel permaneceu fechada nesta quinta-feira por causa da greve, afetando um dos principais pontos turísticos do país.

Protesto em Paris contra o custo de vida 17 de outubro de 2026 REUTERS/Abdul Saboor
© REUTERS/Stephane Mahe/ Proibido reprodução

Crise ocorre antes da próxima eleição presidencial

A onda de mobilizações ocorre cerca de cinco meses antes de uma eleição presidencial que pode levar a candidata de extrema-direita Marine Le Pen e o líder de extrema-esquerda Jean-Luc Mélenchon a um eventual segundo turno. Macron está em seu segundo mandato, enfrenta baixa popularidade e não pode disputar uma nova reeleição.

A estudante Irma de Banville, de 19 anos, afirmou que parte da população evita participar dos atos por medo da violência policial. “Estamos tentando continuar nos mobilizando o máximo possível. Algumas pessoas não estão fazendo isso porque têm medo. Muitas pessoas têm medo da violência policial”, disse ela em Paris.

A mobilização amplia a pressão sobre o governo francês, que tenta conter novos episódios de violência e, ao mesmo tempo, responder às reivindicações de servidores, estudantes e trabalhadores. A cobertura é da Reuters. Leia também as notícias da Reuters.

Veja também: Macron diz que não haverá mais distúrbios; manifestantes se organizam.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br