AGU defende no STF medida provisória que proibiu bets no país

AGU defende no STF medida provisória que proibiu bets no país

O advogado-geral da União, Jorge Messias, defendeu nesta terça-feira (3) a validade da Medida Provisória 1.394 de 2026, que proibiu o funcionamento de empresas responsáveis por sites de apostas online, conhecidas como bets. A manifestação ocorreu durante audiência pública convocada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir a suspensão das apostas eletrônicas no país.

Governo cita proteção à população

Durante a audiência, Messias afirmou que a medida provisória foi adotada para proteger a saúde da população, a renda das famílias e a economia brasileira. Segundo ele, o Estado pode interromper uma atividade econômica quando a experiência demonstra que sua exploração compromete direitos fundamentais.

Brasília (DF) 11/04/2023 Fachada do palácio do Supremo Tribunal Federal (STF) Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 11/04/2023 Fachada do palácio do Supremo Tribunal Federal (STF) Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

“O Estado pode interromper uma atividade econômica quando a experiência demonstra que sua exploração compromete direitos fundamentais? Sim, pode e deve agir quando os instrumentos de proteção se mostram insuficientes”, declarou o advogado-geral da União.

Regulamentação teria sido insuficiente

O representante do governo argumentou que a regulamentação das bets não conseguiu conter os efeitos considerados prejudiciais da atividade. Na avaliação apresentada ao STF, restrições à publicidade, mecanismos de fiscalização e instrumentos de controle não foram suficientes para proteger a população.

Messias também rejeitou a ideia de que a proibição representaria uma contradição em relação às políticas anteriores. “Não há incoerência em corrigir uma escolha quando os seus efeitos se revelam socialmente gravosos. Incoerente seria conhecer o sofrimento das famílias e insistir no mesmo caminho apenas para preservar patrocínios e receitas empresariais”, afirmou.

Brasília (DF), 03/11/2026 - Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participa de audiência pública sobre a medida provisória (MP) 1.394/2026 (BETS). Foto: Walterson Rosa/MS
Brasília (DF), 03/11/2026 – Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participa de audiência pública sobre a medida provisória (MP) 1.394/2026 (BETS). Foto: Walterson Rosa/MS

Ações contra a medida provisória

A audiência foi convocada pelo ministro Luiz Fux, relator no STF dos recursos apresentados pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). As duas entidades pedem a derrubada da medida provisória, editada em setembro deste ano.

A discussão ocorre em meio a manifestações de diferentes setores sobre os efeitos da proibição. Fux afirmou ter a percepção de que as bets devem ser banidas, conforme divulgado na reportagem Fux rebate críticas e diz ter percepção de que bets devem ser banidas.

Brasília (DF) 10/09/2025 - O ministro Luiz Fux chega para proferir seu voto na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que realiza o quarto dia de julgamento dos réus do Núcleo 1 da trama golpista, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 10/09/2025 – O ministro Luiz Fux chega para proferir seu voto na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que realiza o quarto dia de julgamento dos réus do Núcleo 1 da trama golpista, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Clubes de futebol criticaram o fim das apostas esportivas, enquanto o governo destacou os danos associados à atividade, conforme a matéria Clubes de futebol criticam fim das bets; governo ressalta danos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também defendeu a proibição e mencionou possíveis impactos sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), como registrado em Padilha defende proibição das bets e cita impacto no SUS.

Próximos passos

As manifestações apresentadas na audiência pública deverão contribuir para a análise dos recursos pelo Supremo. O tribunal terá de avaliar, entre outros pontos, a validade da medida provisória e os argumentos relacionados à proteção de direitos fundamentais, à atividade econômica e aos efeitos sociais das apostas online.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br