O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal abra um inquérito para apurar uma possível interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. A investigação deverá examinar, principalmente, suspeitas de financiamento oculto de campanha e de atuação coordenada de agentes sediados no exterior.
A decisão foi tomada após uma provocação do Partido dos Trabalhadores (PT), apresentada em uma arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) ajuizada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O processo trata de temas relacionados à soberania nacional e à aplicação de leis estrangeiras no Brasil.
Investigação ficará sob supervisão do STF
Na decisão desta terça-feira (27), Dino avaliou que as informações apresentadas não deveriam tramitar dentro da ADPF, por tratarem de possíveis crimes e irregularidades que exigem apuração específica. Por isso, determinou a abertura de procedimentos próprios de investigação, sob supervisão do Supremo.

Segundo o ministro, o conjunto de denúncias reforça uma preocupação já apontada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em relatório sobre desafios de inteligência para 2026. O documento indicou que haveria elevado incentivo para que atores externos, interessados em decisões políticas e econômicas do Brasil, tentassem interferir no processo eleitoral.
A referência feita na decisão está relacionada à preocupação levantada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre a atuação de agentes estrangeiros e os riscos para a soberania nacional.
Suspeitas de arrecadação e anúncios no exterior
Entre as informações citadas por Dino está a suspeita de que os executivos Tallis Gomes e Pedro Sang tenham atuado em nome da empresa Rockbridge Network para arrecadar recursos nos Estados Unidos destinados à campanha do candidato Flávio Bolsonaro.
Outra denúncia envolve a publicação remunerada de conteúdos relacionados à eleição presidencial brasileira por perfis sediados no exterior. As postagens apresentavam informações favoráveis à possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro na plataforma de apostas Polymarket, bloqueada no Brasil desde 2024.

Dino também mencionou uma representação apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo candidato à Presidência Renan Santos, do partido Missão. O documento reúne exemplos de anúncios publicados por perfis estrangeiros, mas direcionados ao público brasileiro.
De acordo com a representação, haveria um padrão de publicações recorrentes, pagas e produzidas, em sua maioria, em português. O material sustenta que os conteúdos tinham como alvo os eleitores brasileiros e tratavam diretamente das eleições do país.
Meta é citada por falhas na integridade eleitoral
A decisão também menciona suspeitas relacionadas à atuação da Meta, empresa responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp. O ministro citou relatório publicado em 22 de outubro pelo Comitê de Supervisão da companhia, que apontou falhas na garantia da integridade eleitoral.

Dino mencionou ainda preocupações apresentadas por observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) que acompanharam as eleições brasileiras. O comunicado, publicado em 21 de outubro, descreveu diferenças e interrupções na distribuição de conteúdos políticos em plataformas da empresa.
Entre os pontos listados pelos observadores estão a interrupção temporária da conta de campanha de um candidato; diferenças no engajamento, nos conteúdos exibidos aos usuários, na contagem de visualizações e no alcance das publicações; além de restrições a postagens no Instagram.
A ONU também apontou diferenças entre os principais partidos na geração de imagens por inteligência artificial, nos resultados de busca em canais do WhatsApp, nos Stories de candidatos e na distribuição de conteúdos políticos. Segundo o comunicado, essas diferenças poderiam beneficiar a campanha de um candidato adversário.
Possível relação com terras raras
Outro ponto que deverá ser investigado é a acusação de que a exploração de terras raras em território brasileiro teria sido oferecida em troca de interferência no processo eleitoral.

Dino afirmou ser necessário esclarecer se existe algum vínculo entre apoio eleitoral e interesses econômicos de agentes estrangeiros nas reservas brasileiras de terras raras e em outros minerais considerados críticos. A apuração da Polícia Federal deverá reunir elementos sobre eventual conexão entre ações políticas, financiamento externo e interesses na exploração mineral.
Apuração abrangerá diferentes frentes
Com a determinação, a investigação deverá analisar conjuntamente as suspeitas de financiamento internacional, a veiculação de publicidade política por perfis estrangeiros, a atuação de plataformas digitais e a possível oferta de recursos minerais em troca de influência eleitoral.
A decisão não apresenta conclusão definitiva sobre as denúncias. O objetivo do inquérito é verificar a autenticidade das informações, identificar os responsáveis por eventuais irregularidades e esclarecer se houve interferência externa organizada no processo eleitoral brasileiro.
Links e documentos citados
- Itamaraty acusa Milei de tentar interferir na eleição brasileira
- OEA será acionada por Lula sobre interferência da Meta nas eleições
- Kassio diz que não há alerta de interferência nas eleições brasileiras
- Radioagência Operação cumpre mandados contra milícia na Baixada Fluminense
- Rádios
- TV Brasil Repórter Brasil de 26 de outubro de 2026; assista na íntegra
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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