Vereadora do PT é atingida no rosto durante carreata em Montes Claros

Vereadora do PT é atingida no rosto durante carreata em Montes Claros

A vereadora Iara Pimentel (PT) foi atingida no rosto por um objeto durante um ato político realizado na noite de sábado, em Montes Claros (MG). O carro de som em que ela estava teria sido alvo de garrafas, tijolos e outros objetos. Após a agressão, a parlamentar precisou deixar o local em uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

O episódio ocorre em meio ao acirramento da disputa do segundo turno e a uma série de relatos de violência política contra candidatos, militantes, agentes públicos e cidadãos.

Vereadora cobra investigação e responsabilização

Iara Pimentel afirmou que a agressão é incompatível com a democracia e defendeu a liberdade de manifestação política. Ela cobrou investigação rigorosa, apuração dos fatos e responsabilização dos envolvidos.

Vereadora do PT é atingida no rosto durante carreata em Montes Claros
© X/Cláudio Castro

Para a vereadora, a violência política não pode ser naturalizada e nenhuma divergência justifica agressões. “Pensar diferente é um direito. A violência política é uma ameaça à democracia. Nenhuma divergência pode justificar agressões ou colocar vidas em risco”, declarou.

Ana Elisa manifesta solidariedade

A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) classificou como inadmissível a agressão sofrida por Iara Pimentel. Em publicação, defendeu a responsabilização dos autores, manifestou solidariedade à vereadora e às demais pessoas feridas e afirmou que a democracia não combina com pedras, ameaças e agressões.

Ana Elisa também relatou ter sido alvo de violência política e, após receber sucessivas ameaças de morte e estupro, desativou sua conta na plataforma X. Segundo ela, os ataques ocorriam “a cada dois minutos”, com mensagens de conteúdo racista, misógino e de violência sexual. O caso foi levado à Polícia Civil de Minas Gerais.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz gesto após votar no segundo turno das eleições presidenciais, em São Bernardo do Campo (SP), em 25 de outubro de 2026. REUTERS/Amanda Perobelli
© X/Cláudio Castro

Diante das ameaças, a deputada eleita foi incluída no Programa Estadual de Proteção de Minas Gerais.

Lula defende convivência democrática

Após votar em São Bernardo do Campo (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou episódios de violência registrados durante a campanha e defendeu a convivência entre pessoas com opiniões políticas, religiosas e visões de mundo diferentes. O presidente afirmou que divergências políticas não podem resultar em agressões.

“A coisa mais sagrada na democracia é a convivência democrática na diversidade”, disse Lula, ao mencionar o caso da vereadora mineira. Ele comparou as diferenças políticas às preferências esportivas e religiosas e afirmou que o respeito ao direito, à fé, ao time e ao partido dos outros é essencial para o exercício pleno da democracia. O voto de Lula no segundo turno ocorreu em meio à mobilização eleitoral registrada em diferentes regiões.

Ameaças contra servidores da Justiça Eleitoral

Também foram relatadas ameaças contra servidores da Justiça Eleitoral. A Federação Nacional dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe) divulgou nota de repúdio às intimidações registradas desde o primeiro turno e cobrou a responsabilização dos envolvidos.

Brasília (DF), 24/10/2026 - Atos em favor dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer e Lula Marques/Agencia Brasil
Brasília (DF), 24/10/2026 – Atos em favor dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer e Lula Marques/Agencia Brasil

Agressão durante panfletagem no Distrito Federal

Na véspera do segundo turno, a União Brasileira de Mulheres do Distrito Federal (UBM-DF) denunciou uma agressão contra sua presidenta, Maria das Neves Filha, e contra a presidenta da Mocidade do Gama, Edilamar Melo. O caso ocorreu durante uma atividade de panfletagem em frente ao CEMI-Gama e foi registrado em vídeo.

Segundo a entidade, o homem identificado é um policial militar aposentado e teria arremessado uma mesa e derrubado materiais utilizados na atividade. A UBM-DF informou que registrou boletim de ocorrência, anunciou medidas judiciais e divulgou as imagens do episódio.

Em nota, a organização afirmou que não se pode naturalizar a barbárie e a violência contra mulheres e classificou o caso como violência política.

Brasília (DF), 07/12/2025 - O Levante Mulheres Vivas realiza ato na área central de Brasília para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília (DF), 07/12/2025 – O Levante Mulheres Vivas realiza ato na área central de Brasília para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Violência política marca o segundo turno

Os episódios registrados durante a campanha ampliam a preocupação de entidades e autoridades com a segurança de participantes do processo eleitoral. A Agência Brasil também noticiou que aumentaram as agressões políticas em mês de luta contra a violência à mulher.

Entre outros acontecimentos do segundo turno, atos políticos em Brasília ficaram a dois quilômetros de distância. Um balanço parcial também registrou ocorrências de crimes eleitorais, conforme a Radioagência Nacional.

A sequência de agressões e ameaças reforça a cobrança por investigação das denúncias e pela responsabilização dos autores. Para as vítimas e entidades que se manifestaram, divergências políticas fazem parte da democracia, mas não podem ser usadas para justificar violência, intimidação ou restrições à participação pública.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br