Indígenas Protestam na COP17 por Inclusão nas Negociações

Na última quinta-feira, 20 de outubro, indígenas de várias partes do mundo realizaram protestos em Ulaanbaatar, capital da Mongólia, durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17). O movimento, que busca garantir a participação efetiva desses povos nas discussões sobre questões ambientais, critica o espaço criado para a sua inclusão, considerado pelos manifestantes como meramente simbólico.

Papel dos Indígenas nas Negociações

Os protestos foram liderados por Oumarou Ibrahim Hindou, representante da Associação das Mulheres Indígenas Peules do Chade. Ela enfatizou a importância de que os direitos e conhecimentos dos povos indígenas sejam reconhecidos nas negociações. "Não haverá COP sem as pessoas da terra. Estamos prontos para lutar por nossos territórios", afirmou, ressaltando a necessidade de uma participação significativa para que suas vozes realmente sejam ouvidas.

Demandas e Reivindicações

Além da reivindicação por um espaço efetivo nas negociações, os manifestantes também exigiram a reintegração de temas sobre gênero e participação social na agenda oficial da conferência, que haviam sido excluídos a pedido dos Estados Unidos. A inclusão dessas questões é vista como vital para garantir que as discussões reflitam a diversidade de perspectivas e experiências das comunidades afetadas pelas políticas de desertificação.

A Declaração de Ulaanbaatar

Durante o evento, foi divulgada a Declaração de Ulaanbaatar, um apelo à ação global que reconhece a importância dos povos pastoris e indígenas para a conservação da biodiversidade e a segurança alimentar. O documento contesta a visão de que o pastoreio é uma prática ultrapassada e defende que essas comunidades têm um papel essencial na gestão sustentável das terras.

Reconhecimento e Acesso a Recursos

A declaração também pede o reconhecimento dos direitos territoriais e da mobilidade dos povos indígenas como estratégias de adaptação às mudanças climáticas. As comunidades, que são algumas das mais afetadas pelo aquecimento global, buscam acesso direto a recursos para adaptação e fortalecimento da resiliência, além de proteção para os corredores de movimentação de pessoas e animais.

Conclusão e Próximos Passos

Os participantes da conferência esperam que a Declaração de Ulaanbaatar seja incorporada aos resultados oficiais da COP17. As propostas incluem a criação de fundos específicos para iniciativas lideradas por povos pastoris e a restauração de pastagens, com o objetivo de promover a adaptação climática, a conservação da biodiversidade e a segurança alimentar. A luta por reconhecimento e inclusão dos povos indígenas nas negociações climáticas continua, destacando a necessidade de uma abordagem mais holística e integrada nas discussões globais sobre o futuro do planeta.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br