Centro Nacional de Inteligência Penal inicia operações para combater crimes organizados

O Ministério da Justiça e Segurança Pública anunciou, na quarta-feira (19), o início das operações do Centro Nacional de Inteligência Penal (Cnip), previsto para este mês. Essa nova estrutura visa integrar os órgãos de inteligência das polícias penais federal, estaduais e do Distrito Federal, com a finalidade de padronizar protocolos de segurança e combater o planejamento de atividades criminosas a partir de dentro dos presídios brasileiros.

Objetivos e Estrutura do Cnip

Criado em junho de 2023 pela Portaria Ministerial 1.234, o Cnip é parte fundamental do projeto Padrão Segurança Máxima, inserido no programa Brasil Contra o Crime Organizado. Esta iniciativa busca não apenas a integração e coordenação da Rede Nacional de Inteligência Penitenciária (Renipen), mas também a consolidação e disseminação de informações relevantes para a segurança pública. O centro atuará continuamente para monitorar crises e fornecer suporte técnico à Secretaria Nacional de Políticas Penais e aos entes federativos.

Combate à Comunicação Criminosa

Uma das principais preocupações do ministério é a comunicação entre membros de organizações criminosas, facilitada pelo uso de celulares dentro das prisões. O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, destacou a necessidade de uma ação integrada entre forças federais e estaduais para impedir a entrada desses dispositivos nos estabelecimentos prisionais. Ele enfatizou que a presença de celulares é uma questão crítica que impacta a percepção de segurança pública.

Resultados das Ações Recentes

Durante uma coletiva de imprensa, o ministério também apresentou os resultados preliminares de ações de combate ao tráfico de celulares, como a Operação Última Chamada, que ocorreu entre 10 e 19 de agosto. Nesse período, foram recuperados mais de 6 mil aparelhos e realizadas 97 prisões em flagrante. Além disso, 227 comércios foram fiscalizados, gerando mais de 33 mil alertas a pessoas que estavam em posse de celulares irregulares.

Impacto no Sistema Penitenciário

As operações realizadas pela Secretaria Nacional de Políticas Penais entre maio e agosto resultaram na apreensão de 2.254 celulares em 295 unidades prisionais, onde quase 9,9 mil celas foram revistadas. O ministério também reportou uma queda nos roubos e furtos de celulares, de 225.644 no primeiro trimestre de 2025 para 215.589 em 2026, representando uma redução de 4,5%.

Importância da Integração nas Ações de Segurança

André Garcia, secretário nacional de Políticas Penais, destacou que as ações no sistema prisional são essenciais para interromper o ciclo de crimes envolvendo celulares. Ele ressaltou que essa cadeia criminosa, que se inicia no furto e se estende até a comercialização ilegal, frequentemente culmina no ambiente prisional, afetando a segurança do cidadão por meio de golpes e outros crimes.

Conclusão

Com o lançamento do Centro Nacional de Inteligência Penal, o Ministério da Justiça e Segurança Pública espera fortalecer o combate ao crime organizado e melhorar a segurança dentro dos presídios. A integração das forças de segurança é vista como um passo crucial para enfrentar os desafios impostos pela comunicação criminosa e pela entrada ilegal de celulares nas unidades prisionais, buscando assim uma sociedade mais segura.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br