Uma nova pesquisa revela que uma significativa parte dos empresários que apoiaram a ditadura militar no Brasil, conforme documentado pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), possui raízes em famílias escravistas. A investigação, realizada para o podcast "Perdas e Danos", revela ligações históricas que se estendem desde o período colonial até os dias atuais.
Legado das Famílias Escravistas
O capítulo 'Civis que Colaboraram com a Ditadura' do relatório final da CNV lista as empresas que financiaram o regime militar. Dentre os 62 empresários mencionados, um levantamento genealógico mostra que pelo menos 40 pertencem a famílias que foram proprietárias de escravos. Ricardo Oliveira, coordenador do Núcleo de Estudos Paranaenses, destaca que o núcleo da classe dominante no Brasil se mantém firme desde o período colonial.
Método de Investigação
Para chegar a essas conclusões, a equipe de pesquisa analisou documentos como certidões de nascimento, atestados de óbito e livros de batismo disponíveis no site de genealogia Family Search. Entre os sobrenomes identificados estão os da família Guinle de Paula Machado, historicamente ligada ao Porto de Santos, e Batista Figueiredo, que também possui laços com o último ditador militar.
Modelo Econômico da Ditadura
O professor de filosofia política Edson Teles, coordenador do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense, aponta que o modelo econômico da ditadura era baseado na extração. Essa lógica não se limitava apenas a recursos naturais, mas também se estendia à exploração dos trabalhadores, caracterizando um processo que remete à escravidão.
Impacto sobre os Trabalhadores
A relação entre o poder econômico e o regime militar teve um impacto direto sobre os trabalhadores. Logo após o golpe de 1964, cerca de 20 mil pessoas foram presas, a maioria delas membros de sindicatos. Além disso, o poder de compra do salário mínimo sofreu uma queda drástica, resultando em uma rápida desvalorização em relação à inflação.
Crescimento da Desigualdade
Dados do IBGE mostram um aumento alarmante da desigualdade durante a ditadura. Em 1960, os 5% mais ricos da população concentravam 28% da renda, cifra que saltou para quase 40% em 1972. Essa imobilidade na estrutura social e econômica é um reflexo da permanência das mesmas famílias nas esferas de poder ao longo das gerações.
Conclusão
A pesquisa sobre as ligações entre empresários e a ditadura militar no Brasil revela uma continuidade histórica que desafia a narrativa comum sobre a evolução social e econômica do país. O legado das famílias escravistas e a estrutura de poder mantida ao longo dos séculos destacam a necessidade de uma reflexão crítica sobre as raízes da desigualdade e da exploração que persistem até hoje.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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