Relatório do Instituto Fogo Cruzado Revela Aumento da Violência Armadas e a Eficácia das Ações Policiais no Brasil

Os dados do relatório semestral do Instituto Fogo Cruzado, divulgado na última quarta-feira (29), revelam um panorama preocupante sobre a segurança pública no Brasil. As ações policiais, que deveriam atuar como um instrumento de proteção, estão se consolidando como um dos principais fatores que alimentam a violência armada no país.

Crescimento Alarmante nos Tiroteios

Entre janeiro e junho de 2026, foram contabilizados 2.511 tiroteios em quatro regiões metropolitanas: Rio de Janeiro, Recife, Belém e Salvador. Esse número resultou em 2.403 feridos, dentre os quais 1.628 perderam a vida. A participação policial foi significativa, correspondendo a 39% dos incidentes, o que se traduziu em 584 mortes e 317 feridos em 989 tiroteios. Em comparação com o mesmo período de 2025, a participação das forças de segurança nos confrontos aumentou, apesar de uma leve queda no total de tiroteios.

Críticas ao Modelo de Segurança Pública

Terine Husek Coelho, gerente de Pesquisa do Instituto Fogo Cruzado, critica a abordagem atual do Estado em relação à segurança pública, que permanece ineficaz após três décadas. Segundo ela, a repetição de estratégias que não conseguem desarticular grupos armados apenas contribui para o aumento do número de tiroteios e expõe a população a situações de risco. O impacto negativo se reflete também em escolas e unidades de saúde, que frequentemente enfrentam interrupções devido à violência.

Análise por Região

O relatório também detalha a situação em diferentes regiões. No Grande Rio, 976 tiroteios foram registrados, com a participação policial atingindo 47%, o índice mais alto desde 2017. Em contraste, a região metropolitana do Recife apresentou 645 tiroteios, representando a menor taxa desde 2019, embora o número de incidentes policiais tenha alcançado um recorde histórico.

Impacto em Salvador e Belém

Salvador e suas áreas metropolitanas também registraram uma diminuição no número de tiroteios, alcançando o menor índice em anos, com 656 incidentes. Entretanto, a participação policial continua a ser significativa, com 53% dos 637 feridos sendo atingidos durante operações policiais. Em Belém, a tendência de queda foi de 20%, com 234 tiroteios mapeados, mas ainda assim, as ações policiais estiveram presentes em 45% dos casos.

Conclusão e Reflexão sobre o Futuro

O relatório do Instituto Fogo Cruzado traz à tona a urgência de uma revisão nas estratégias de segurança pública no Brasil. O aumento da violência armada, mesmo com uma presença policial crescente, indica a necessidade de novas abordagens que transcendam a repressão e busquem soluções mais eficazes para garantir a segurança da população. A reflexão crítica sobre o modelo atual pode ser o primeiro passo para mudanças significativas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br