Quase 80 milhões de negativados: como devolver o acesso ao crédito de forma responsável

Klubi, Serasa, Gooroo Crédito e Bari: especialistas em finanças pessoais destacam soluções tecnológicas e modalidades que auxiliam na inclusão financeira e no acesso ao crédito para quem está com o ‘nome sujo’ na praça

Foto: arquivo

São Paulo, janeiro de 2026 – O número de brasileiros com restrição no nome voltou a crescer em setembro deste ano, alcançando 79,1 milhões de pessoas, segundo o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil da Serasa, um aumento de 0,40% em relação a agosto.

Somados à alta inadimplência e endividamento, entre os principais entraves para o acesso ao crédito no Brasil estão o alto custo dos empréstimos e a falta de comprovação de renda ou histórico financeiro de grande parte da população. 

Mesmo com a redução da taxa básica de juros, o crédito ao consumidor segue caro devido aos elevados spreads bancários, ou seja, o “lucro bruto” do banco por emprestar dinheiro, além de impostos e riscos de inadimplência embutidos nas operações.

Ao mesmo tempo, milhões de trabalhadores informais ou autônomos permanecem fora do radar das instituições financeiras por não terem vínculos formais de emprego ou registros de movimentação bancária suficientes para comprovar capacidade de pagamento.

Essa combinação acaba restringindo o crédito justamente para quem mais precisa dele. 

Como contornar a dificuldade de acesso ao crédito?

Em um cenário desafiador como este, algumas alternativas se apresentam como potenciais solucionadoras desse gargalo.

É o caso da tecnologia que tem desempenhado um papel essencial para ampliar o acesso ao crédito de forma mais justa e responsável no Brasil.

Até porque a solução não é apenas a concessão de crédito, mas sim como disponibilização de maneira responsável e de forma que não piore o já complexo cenário de inadimplência.

É aí que entra o planejamento financeiro. Planejar e se preparar para comprar o que realmente precisa é um dos caminhos mais eficientes para contornar o endividamento, e essa é justamente uma das premissas do consórcio, especialmente o 2.0, que funciona embedado em tecnologia, o que potencializa e acelera a análise de crédito, destaca Ariane Scacalossi, especialista da fintech Klubi com mais de 15 anos de experiência na área.

Segundo ela, a modalidade se diferencia por exigir disciplina e planejamento, mas sem impor barreiras de entrada tão rígidas quanto o financiamento tradicional.

“O consórcio é uma modalidade ‘amiga’, pois condiciona o acesso ao crédito a um planejamento financeiro, evitando as famosas compras por impulso”, explica.

Além disso, o consórcio se destaca por ter menos barreiras de entrada, já que a adesão não depende de uma análise de crédito rigorosa como em outras modalidades.

A avaliação é mais flexível e leva em conta o planejamento financeiro do cliente, o que favorece quem busca organizar as finanças ou retomar o acesso ao crédito.

Assim, o consórcio se consolida como uma alternativa viável e responsável, permitindo o alcance de objetivos sem comprometer a saúde financeira. 

Empréstimo com garantia de imóvel e a consolidação de dívidas

Segundo Lucas Ortega, líder comercial do B2C no Bari, grupo financeiro, o empréstimo com garantia de imóvel é uma opção vantajosa para a consolidação de dívidas, que consiste em substituir múltiplas parcelas de diferentes tipos de crédito por uma única parcela, geralmente com juros mais baixos. 

“Atualmente, recebemos muitos clientes que buscam essa solução, pois estão endividados em cartões de crédito rotativos, cheque especial, empréstimos pessoais com altas taxas de juros ou até mesmo consignados com taxas elevadas. Em muitos casos, o cliente se vê pagando diversas dívidas simultaneamente, o que pode dificultar o controle financeiro. A consolidação de dívidas surge, então, como uma ferramenta para simplificar essa situação, uma vez que, ele recebe o crédito, quita suas obrigações financeiras e passa a ter apenas uma parcela referente ao empréstimo com garantia de imóvel”, explica Lucas. 

Ortega ainda destaca que essa operação, frequentemente, envolve a substituição de taxas que podem variar de 10% a 20% ao mês por taxas significativamente menores, geralmente entre 1,15% e 1,20% ao mês.

Portanto, o empréstimo com garantia de imóvel se apresenta como a forma mais eficaz e rápida de obter um valor considerável para consolidar dívidas e aliviar o orçamento.

Trata-se de uma alternativa inteligente para quem busca organização financeira.

A questão sobre a possibilidade de obter esse crédito mesmo com restrições no nome é comum. A resposta é que ter restrições não é necessariamente um impedimento.

Cada solicitação passa por uma análise de crédito, e a aprovação dependerá da avaliação realizada pela equipe responsável. “É importante ressaltar que não se trata de um fator limitante.

Realizamos diversas operações para clientes que já possuem restrições, muitas vezes condicionando a aprovação à quitação dessas pendências, o que, em geral, é vantajoso para o cliente”, finaliza.

Crédito do Trabalhador

Uma outra alternativa é o Crédito do Trabalhador. Oferecido pela Gooroo Crédito, fintech especializada em soluções financeiras para o trabalhador CLT, a modalidade de crédito consignado surge como uma alternativa acessível e responsável para quem busca retomar o acesso ao crédito, inclusive trabalhadores com restrições no nome.

Com juros significativamente menores que os do crédito pessoal, desconto em folha e contratação 100% digital, o Crédito do Trabalhador combina segurança, rapidez e transparência.

Essa estrutura reduz o risco de inadimplência e amplia a inclusão financeira, permitindo que o trabalhador volte a ter crédito de forma sustentável. 

Segundo Rodolfo Takahashi, CEO da Gooroo Crédito, esta é uma oportunidade concreta de reconstrução financeira. “Mais do que liberar um empréstimo, o propósito é oferecer uma nova chance para que o trabalhador reorganize sua vida financeira e volte a ter confiança no sistema de crédito.

Quando o acesso é justo e consciente, o crédito se torna um instrumento de recomeço e não de endividamento.”

O executivo ainda destaca que um cliente negativado não deve ser visto, necessariamente, como um mau pagador.

“Muitas vezes, ele está apenas em um momento de ajuste financeiro. No entanto, quando observamos o processo de reconstrução de acesso ao crédito, percebemos que as ofertas adequadas só aparecem depois de cerca de 12 meses. O que muitas vezes inviabiliza essa retomada. Na prática, o devedor fica sem crédito por todo esse período. E como ele faz? O crédito é parte essencial da verdadeira inclusão financeira, e só quem entende de fato o perfil do tomador consegue atendê-lo com responsabilidade”, afirma Takahashi. 

Esse modelo já permitiu que mais de 100 mil trabalhadores contratassem crédito por meio da Gooroo e que a empresa reunisse uma carteira com 10 mil empresas conveniadas, fortalecendo a inclusão financeira.
 

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