* Por Maíra Lira Oliveira
Todo início de ano costuma ser sinônimo de planejamento, reajustes e promessas renovadas.
Mas há um aspecto pouco discutido que faz de janeiro um mês decisivo para o futuro ambiental e econômico do país: o período em que mais produzimos resíduos e, paradoxalmente, quanto mais estamos dispostos a rever hábitos.
Nesse cruzamento entre excesso e reflexão nasce uma oportunidade estratégica para impulsionar a nova economia circular no Brasil.
Após as festas e o consumo intenso de dezembro, o volume de resíduos sólidos urbanos dispara. Embalagens de alimentos, presentes, decorações e itens descartáveis inundam sistemas de coleta já saturados. Em algumas cidades, o aumento chega a quase 30%.
Esses dados comprovam que o mês de Janeiro é, portanto, o retrato concentrado de um problema estrutural, a lógica linear de “extrair, produzir, descartar”, que há décadas domina o modelo industrial brasileiro.
E é justamente essa concentração que nos obriga a olhar o lixo não como passivo, mas como ativo econômico.
A economia circular, embora frequentemente apresentada como conceito abstrato, é essencialmente simples: trata-se de manter materiais em uso pelo maior tempo possível, reduzindo a extração de recursos e eliminando desperdícios.
O que muda agora, na chamada nova economia circular, é o salto tecnológico e produtivo que permite transformar resíduos em insumos de alto valor.
E, nesse caso, o país já começa a dar sinais de que essa transição é mais viável do que parecia há alguns anos.
Setores como reciclagem de plásticos, reaproveitamento de resíduos orgânicos, bioenergia, logística reversa e reuso de água ganharam força, impulsionados por inovação e pressão regulatória.
Diante deste cenário, a Política Nacional de Resíduos Sólidos e os acordos setoriais recentes criaram bases para ampliar a responsabilidade compartilhada entre empresas, governos e consumidores.
Ainda assim, o avanço é lento: reciclamos pouco, desperdiçamos muito e perdemos valor diariamente.
O mês de Janeiro, nesse sentido, funciona como laboratório. É quando empresas revisam metas, governos definem orçamentos e consumidores fazem escolhas mais conscientes, seja por resoluções pessoais ou pela sensação de “folha em branco”.
É também quando as cidades enfrentam o impacto imediato da má gestão de resíduos: lixões clandestinos, enchentes agravadas por entulho e custos extras de coleta. Ignorar esse sinal é desperdiçar o momento ideal para reorientar políticas públicas e estratégias privadas.
Para o setor produtivo, o mês representa a chance de transformar o discurso circular em prática. Investir em design para reutilização, ampliar cadeias de reciclagem, estimular parcerias com cooperativas e adotar materiais renováveis não é apenas um gesto ambiental: é uma estratégia competitiva.
As empresas que lideram esse movimento acessam mercados premium, reduzem riscos regulatórios e respondem a um consumidor cada vez mais intolerante ao desperdício.
Para os governos, deveria ser o marco da virada: atualizar planos de resíduos, fortalecer coleta seletiva, modernizar infraestrutura e criar incentivos reais para inovação circular, principalmente porque a cada ano perdido, enterra-se literalmente riqueza em aterros.
E para nós, cidadãos, o começo do ano é o momento mais propício para incorporar hábitos simples: separar resíduos, reduzir descartáveis, repensar compras que, somados, alimentam toda a cadeia circular.
A nova economia circular não é uma utopia verde: é uma necessidade econômica. E janeiro nos coloca diante dessa verdade com clareza rara.
Porém, transformar resíduos em oportunidades depende de ação coordenada, mas também de timing.
E o melhor momento para começar é agora quando o país, simbolicamente e materialmente, está repleto de restos que poderiam ser o futuro de um país mais limpo e sustentável.
**Maíra Lira Oliveira é Diretora Jurídica da Corning na América Latina e Caribe.
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