Pioneiras do Futebol Feminino Compartilham Suas Histórias no Sem Censura

O programa Sem Censura, transmitido pela TV Brasil, promoveu um encontro emocionante com três mulheres que desempenharam papéis cruciais na história do futebol feminino no Brasil. Na última sexta-feira (26), as ex-atletas Marilza Martins da Silva, conhecida como Pelezinha, Marisa Pires, a Caju, e Márcia Matos, chamada de Russa, compartilharam suas experiências em um esporte que enfrentou proibições e desafios desde a década de 1940.

A História do Futebol Feminino no Brasil

O futebol feminino brasileiro teve seu desenvolvimento severamente restringido por um decreto do presidente Getúlio Vargas, que proibiu a prática da modalidade em 1941. Somente em 1980, após longos anos de luta, a situação começou a mudar com a regularização do esporte. O Esporte Clube Radar, fundado em 1932 no bairro de Copacabana, se destacou como o primeiro clube a abraçar a modalidade feminina, tornando-se um marco na história do futebol nacional.

Atletas Pioneiras Compartilham Suas Experiências

Durante a gravação do programa, as atletas relembraram momentos marcantes de suas carreiras. Pelezinha, por exemplo, recebeu seu apelido de Eurico Lyra, o empresário que liderou o Radar, que a descreveu como alguém que 'flutua' ao correr na areia. A ex-atleta relembrou a emoção de representar a Seleção Brasileira em 1988, quando recebeu a camisa amarela, um símbolo de orgulho e conquista.

Desafios e Conquistas

Marisa Pires, a Caju, que foi capitã da seleção no primeiro campeonato mundial, comentou sobre a presença de torcedores nas arquibancadas. Ela desmistificou a ideia de que os estádios eram vazios, afirmando que sempre houve grande público para assistir aos jogos, mesmo quando as jogadoras não recebiam salários fixos e dependiam de prêmios por partida. A paixão e a persistência das jogadoras foram fundamentais para o crescimento do esporte.

Reconhecimento Tardio

Recentemente, uma lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu que as atletas do futebol feminino que representaram o Brasil entre 1988 e 1991 receberão uma compensação de R$ 500 mil. Caju expressou sua gratidão, reconhecendo que, embora a recompensa tenha chegado tarde, é um reconhecimento muito esperado após anos de luta. Ela também destacou que o valor será estendido às famílias das atletas que já faleceram, uma forma de honrar suas contribuições.

Gratidão e Esperança para o Futuro

Emocionadas, as ex-atletas expressaram sua gratidão por Marileia dos Santos, conhecida como Michel Jackson, que trabalhou silenciosamente por oito anos para garantir a aprovação da lei. Márcia Matos, a Russa, enfatizou a importância de reconhecer o esforço dela, que foi fundamental para que as pioneiras do futebol feminino finalmente recebessem o reconhecimento merecido. Elas concordaram que essa vitória, além de ser um marco pessoal, representa um passo significativo para o futuro do futebol feminino no Brasil.

O programa Sem Censura não apenas celebrou as conquistas dessas atletas, mas também trouxe à tona a importância de se reconhecer e valorizar a história do futebol feminino, que continua a crescer e a inspirar novas gerações.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br