Operação Terapêutica: Fraudes em Comunidades Terapêuticas de MS São Investigadas

Na manhã desta terça-feira, 18 de agosto de 2026, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), iniciou a Operação Terapêutica. Esta ação visa investigar fraudes em serviços de internação que recebem financiamento do Poder Público, especialmente em comunidades terapêuticas destinadas a dependentes químicos.

Ação Policial e Resultados

Durante a operação, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em diversas cidades, incluindo Dourados, Fátima do Sul, Deodápolis, Glória de Dourados e Ponta Porã. A ação resultou na descoberta de uma pessoa em cárcere privado e na prisão de três indivíduos em flagrante, que enfrentam acusações de posse irregular de arma de fogo, tráfico de drogas, sequestro e cárcere privado.

Investigação das Comunidades Terapêuticas

Os investigados são parte de um esquema que envolve várias empresas que prestam serviços de internação, mas que não atendem aos requisitos técnicos para serem consideradas clínicas especializadas. Segundo a Polícia Civil, essas entidades apresentavam vínculos ocultos que permitiam uma atuação conjunta em detrimento do interesse público.

Irregularidades e Lavagem de Dinheiro

As investigações revelaram que muitas dessas instituições operavam sem alvarás sanitários e contavam com estruturas inadequadas. Além disso, o inquérito aponta que houve contratações diretas por parte do governo, com indícios de que empresas do mesmo grupo manipularam processos de licitação e judicialização para garantir repasses financeiros indevidos.

Estimativas de Vantagem Econômica

A análise de 66 processos judiciais entre 2023 e 2024 indicou que os envolvidos obtiveram uma vantagem econômica superior a R$ 1 milhão por meio das contratações sob investigação. As movimentações financeiras entre as entidades e indivíduos apontam para uma possível prática de lavagem de dinheiro.

Colaboração e Apoio Institucional

A Operação Terapêutica contou com a colaboração de diversas instituições, como a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, Vigilância Sanitária e o Conselho Regional de Farmácia. Um efetivo de 36 policiais foi mobilizado para garantir a efetividade das ações e a segurança durante as abordagens.

Conclusão

A Operação Terapêutica destaca a importância do combate à corrupção e à proteção dos recursos públicos, especialmente em áreas sensíveis como a saúde mental. A Polícia Civil continuará a investigar os envolvidos, buscando não apenas responsabilizar aqueles que cometem fraudes, mas também assegurar que os serviços de saúde oferecidos à população sejam de qualidade e respeitem as normas estabelecidas.