Sindicatos e grupos de protesto da França convocaram novas manifestações para manter a pressão sobre o governo, em meio à insatisfação com os salários, o custo de vida e a situação dos serviços públicos. As mobilizações ganharam força neste fim de semana e já ultrapassam o movimento estudantil que deu início aos protestos no mês passado.
Novos atos e greve nacional
Líderes sindicais convocaram manifestações para 31 de outubro e anunciaram uma greve nacional para 5 de novembro. O sindicato de professores SUD Education confirmou participação no ato do dia 31, enquanto a central sindical CGT informou que decidirá ao longo da semana se aderirá à mobilização.
Murielle Guilbert, copresidente da central sindical de esquerda Solidaires, afirmou que as reivindicações de estudantes, trabalhadores, bombeiros e outros grupos estão convergindo. “Estamos vendo uma agregação de revoltas”, disse à emissora BFM TV. Segundo ela, a insatisfação se espalha por diferentes setores da sociedade.

Participação e reforço da segurança
O Ministério do Interior informou que 410 mil pessoas participaram das marchas realizadas em 24 de outubro. Para acompanhar os protestos, as autoridades mobilizaram 70 mil policiais em todo o país.
O esquema de segurança ajudou a evitar a repetição dos saques e atos de vandalismo registrados em várias cidades em 17 de outubro. No sábado, os distúrbios ficaram limitados a confrontos esporádicos, inclusive em Paris e Marselha.
Ao todo, 1.314 pessoas foram presas durante os atos de 24 de outubro, cerca de metade do número registrado na semana anterior. Aproximadamente 50 policiais ficaram feridos, ante mais de mil na mobilização anterior.
Coletes Amarelos também convocam mobilização
O movimento dos Coletes Amarelos, que surgiu em 2018 contra impostos sobre combustíveis, também convocou manifestações em massa para 31 de outubro. Os organizadores planejam atos diante de prefeituras e da Assembleia Nacional.

A ativista Azelma Sigaux afirmou que a indignação está crescendo em escolas e universidades, rotatórias, bairros, fazendas e locais de trabalho. O movimento pretende ampliar a mobilização para além das pautas estudantis e reunir diferentes setores descontentes com a situação econômica e social.
Pressão sobre o governo de Macron
Em 2019, o presidente Emmanuel Macron encontrou recursos para reduzir os custos dos combustíveis em resposta às reivindicações dos Coletes Amarelos. Atualmente, porém, a pressão sobre as contas públicas limita a capacidade do governo de atender às novas demandas.
O mandato de Macron termina em abril do próximo ano, e seu partido de centro não tem mais a maioria necessária para aprovar leis de grande alcance. O governo iniciou negociações com sindicatos e representantes estudantis para tentar conter a crise, mas os líderes dos protestos consideram insuficientes as medidas apresentadas até agora.

“Não recebemos nenhuma resposta deste governo”, afirmou Guilbert. Sindicatos policiais também disseram que não dispõem de efetivo suficiente para manter por muito tempo o atual nível de mobilização.
Repercussão em outros países
A onda de protestos teve reflexos fora da França. Em 24 de outubro, a polícia belga usou gás lacrimogêneo e spray de pimenta durante confrontos com manifestantes antigoverno em Bruxelas.
Na Albânia, protestos pacíficos iniciados no fim de maio se transformaram em confrontos violentos neste mês. Também foram registradas ações em várias cidades italianas pela segunda semana consecutiva.
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As informações foram divulgadas pela Reuters. Leia mais conteúdos da Reuters Brasil.
Links e documentos citados
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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