Neste sábado, 25 de março, a 11ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo trouxe à tona a memória de Luana Barbosa, uma mulher lésbica, negra e periférica que foi brutalmente assassinada há dez anos. O ato ocorreu na Praça Roosevelt, no coração da capital paulista, reunindo centenas de participantes, incluindo líderes políticas, feministas, religiosas e artistas, que se uniram para reivindicar justiça e igualdade.
Memória e Luta por Justiça
A lembrança de Luana Barbosa é um símbolo da luta contínua contra a violência que afeta mulheres negras e lésbicas no Brasil. Juliana Gonçalves, cofundadora do evento, destacou que, apesar de uma década ter se passado desde a morte de Luana, muitos outros casos semelhantes continuam a ocorrer, como os de Ieda e Fabiana, que também foram assassinadas em São Paulo. Essa realidade alarmante reflete a negligência que a população negra enfrenta diariamente.
Reivindicações e Direitos Negligenciados
Durante o evento, Gonçalves ressaltou a necessidade de reparação e reconhecimento dos direitos das mulheres negras, que desempenham papéis fundamentais na economia, mas frequentemente ficam à margem do reconhecimento e da remuneração justa. 'Tomamos as ruas por direitos, reparação e bem viver', afirmou, enfatizando que o Estado brasileiro deve uma dívida histórica à população negra.
Cultura e Ancestralidade em Destaque
A abertura da marcha contou com uma apresentação do coletivo Bando das Macuas, que trouxe uma performance inspirada na ancestralidade, homenageando figuras históricas e reverenciando as mulheres presentes no ato. Francine Moura, uma das integrantes do coletivo, explicou que a apresentação estava ligada ao espetáculo 'Anunciação', que explora a cultura e a história do povo Macuas, originário do norte de Moçambique.
Expressão Musical e Participação da Comunidade
O evento também contou com a participação de DJs que animaram o público com músicas de rap e hip hop, todas com letras de protesto, reforçando as mensagens de resistência e luta da comunidade negra. Mulheres ligadas a religiões de matriz africana também se fizeram presentes, destacando a necessidade de reconhecimento da contribuição que essas culturas têm para a formação da sociedade brasileira.
Marchas em Outras Cidades
Além de São Paulo, a Marcha das Mulheres Negras ocorreu simultaneamente em outras cidades do Brasil. Em Salvador, na Bahia, houve uma caminhada significativa, assim como uma reunião em Recife, Pernambuco, na véspera do evento principal. Essas mobilizações em diferentes localidades demonstram a força e a unidade do movimento em busca de justiça e igualdade.
Conclusão
A 11ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo não apenas homenageou Luana Barbosa, mas também ressaltou a urgência de se enfrentar as desigualdades e as violências que persistem contra as mulheres negras no Brasil. O evento foi um poderoso lembrete de que a luta por justiça e igualdade continua, e que a memória de Luana e de tantas outras não deve ser esquecida.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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