Maior acordo comercial do mundo avança, mas enfrenta resistência na Europa

Para Antonio da Luz, economista-chefe da Ecoagro:

O acordo Mercosul-União Europeia é algo que deve, sim, ser comemorado. Comemorado pelas duas partes, porque, ao longo da história da humanidade, nada trouxe mais progresso do que o comércio, especialmente o comércio entre nações.

A criação da maior zona de livre comércio do mundo é, sem dúvida, um movimento grandioso e que gera uma expectativa bastante positiva para todos nós.

Neste momento, o acordo já foi aprovado pela Comissão Europeia. Ainda precisa ser assinado, o que deve acontecer, mas depois disso terá de passar pelo Parlamento Europeu.

Acreditamos que, se um continente milenar, berço da civilização ocidental, chegou a um consenso dentro da Comissão para avançar com essa assinatura, é porque seus representantes têm legitimidade junto aos países que representam.

Por isso, queremos crer que, uma vez assinado, o acordo consiga avançar no Parlamento, embora essa etapa ainda seja necessária e delicada.

Há, contudo, algumas preocupações relevantes.

De um total de pouco mais de 700 parlamentares europeus, cerca de 150 já declararam que pretendem judicializar o processo caso a União Europeia siga adiante com o acordo Mercosul-União Europeia.

Isso significa que o tema pode acabar sendo discutido no Judiciário europeu, o que adiciona um grau de incerteza ao processo.

Existe ainda uma segunda linha de preocupação, ligada ao protecionismo europeu.

Nos últimos tempos, foram criadas salvaguardas consideradas preocupantes, com o anúncio de medidas específicas para produtos como carnes, aves, arroz, mel, ovos e etanol, estabelecendo tetos de importação com isenção tarifária para países latino-americanos.

Mais recentemente, a França adotou uma regra que impede a entrada de produtos com qualquer resíduo de defensivos que não sejam utilizados na zona do euro.

Trata-se de uma exigência desnecessária e claramente protecionista, já que a agricultura europeia é temperada, enquanto a nossa é tropical, com doenças, pragas e soluções diferentes.

Além disso, já há algum tempo, a Europa vem criando obstáculos com iniciativas como a lei antidesmatamento.

Algumas nações europeias, portanto, têm imposto entraves recorrentes que dificultam o avanço do acordo.

Diante desse cenário, é correto comemorar o avanço representado pela aprovação na Comissão Europeia e manter uma expectativa positiva em relação à assinatura, que deve ocorrer em breve.

Ainda assim, a comemoração precisa ser feita com cautela, porque o processo pode apresentar novos capítulos.

Caso o acordo seja efetivamente firmado, o impacto tende a ser muito relevante.

A União Europeia passaria a ter um peso maior nas exportações brasileiras, algo que hoje ainda está aquém do potencial.

O agronegócio brasileiro, sem dúvida, surge como um dos grandes vencedores desse acordo, abrindo uma perspectiva bastante positiva para os próximos anos.

Adriano Santos
sistemas@comuniquese3.com.br

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