Uma nova pesquisa revela que a menstruação afeta significativamente a rotina de estudantes do ensino fundamental e médio no Brasil. O levantamento, realizado pelo Instituto Alana em colaboração com o Instituto Equidade.info, mostra que seis em cada dez estudantes que menstruam enfrentam cólicas fortes ou moderadas, o que impacta sua frequência escolar e exige o uso de medicamentos.
Dados da Pesquisa
O estudo, divulgado na véspera do Dia Internacional da Dignidade Menstrual, foi conduzido em fevereiro de 2023 com um total de 2.551 estudantes, incluindo 770 que menstruam, além de 303 docentes e 181 gestores escolares de diversas regiões do Brasil. A pesquisa teve como foco os sintomas relacionados à menstruação e seu impacto na vida escolar.
Sintomas e Consequências
Os sintomas menstruais mais frequentemente relatados incluem cólica, citada por 57,7% das entrevistadas. Outros desconfortos mencionados foram o cansaço e dores no corpo (30,1%), dores de cabeça (28%), dor abdominal (20,1%), e preocupações relacionadas a vazamentos e falta de produtos de higiene (19,3% e 8,2%, respectivamente).
Faltas e Atrasos
Os dados indicam que os sintomas menstruais podem resultar em até dois dias de faltas mensais. Sofia Reinach, líder da iniciativa de Endometriose, Dor Pélvica e Saúde Menstrual no Instituto Alana, destaca que essas ausências podem prejudicar o aprendizado e a conexão dos alunos com a escola. Segundo ela, quase 40% das meninas perdem ao menos um dia de aula mensalmente devido às dores menstruais, um fato que pode levar a uma desvantagem no processo educacional.
Questões Coletivas e Protocolos Necessários
A pesquisa também aponta que as ausências relacionadas a sintomas menstruais são frequentemente vistas como questões individuais, quando na verdade deveriam ser tratadas como um problema coletivo. O Instituto Alana sugere a implementação de protocolos para justificativas de faltas e orientações para o corpo docente, visando reduzir o estigma e melhorar a atenção a esses casos.
Desigualdade Racial nas Dores Menstruais
A investigação também traz à luz disparidades raciais na experiência menstrual. Embora as alunas negras relatem menos cólicas fortes, elas têm uma taxa de faltas mais alta, chegando a perder de dois a cinco dias de aula mensalmente por conta de dores menstruais. Enquanto 14,5% das alunas negras faltam por essa razão, apenas 9,6% das alunas brancas relatam o mesmo.
Reconhecimento da Dor e a Necessidade de Mudança
A análise da dor menstrual entre diferentes grupos raciais revela que as alunas brancas tendem a descrever suas cólicas como mais intensas, com 37,5% relatando dor forte, enquanto apenas 25,9% das alunas negras compartilham essa experiência. Essa discrepância sugere que as meninas negras podem normalizar suas dores, resultado de uma percepção cultural que deslegitima a gravidade do sofrimento.
Conclusão
A pesquisa ressalta a importância de um olhar mais atento por parte dos profissionais de saúde e educação em relação à dor menstrual, principalmente entre as alunas negras. Sofia Reinach conclui que é fundamental que essa percepção mude, pois embora as meninas negras sofram com dores significativas, elas frequentemente não buscam ajuda devido à normalização do sofrimento. É essencial que as escolas se tornem parte de uma rede de apoio, garantindo que todas as alunas recebam o cuidado e a atenção que merecem.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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