Em 1976, em meio ao regime militar que dominava o Brasil, um episódio marcante ocorreu em Foz do Iguaçu, no Paraná. Um prédio público, construído com recursos estatais para ser uma escola municipal, foi repentinamente entregue à iniciativa privada, apenas dias antes de sua inauguração. Este ato transformou a Escola Politécnica de Foz do Iguaçu em um marco na educação, ao beneficiar o Colégio Anglo-Americano, que seria responsável pela educação dos filhos dos trabalhadores da hidrelétrica Itaipu.
O Contexto da Entrega do Prédio
O Colégio Anglo-Americano, gerido por Ney Suassuna, foi escolhido em um momento em que Foz do Iguaçu enfrentava um déficit significativo na educação, com cerca de 3 mil crianças fora da escola. José Kuiava, que na época atuava como inspetor de ensino do município, recorda com clareza o momento em que recebeu a ordem de entregar as chaves do novo colégio. A determinação veio diretamente de Curitiba, através do diretor da Secretaria de Educação, causando constrangimento a Kuiava, que já havia anunciado a inauguração da escola para a população local.
O Contrato e Seus Benefícios
O contrato estabelecido entre o Anglo-Americano, a Itaipu Binacional e o consórcio de empreiteiras, conhecido como Unicon, garantiu ao colégio um mínimo de 1.000 vagas pagas com recursos públicos. No entanto, o colégio rapidamente superou essa expectativa, alcançando mais de 10 mil alunos matriculados em seu primeiro ano de funcionamento e chegando a mais de 14 mil durante o auge das obras. Essa situação representou o início de uma rede de ensino privado que prosperaria com o suporte do Estado.
Economia e Desigualdade na Educação
As mensalidades do Anglo-Americano, variando entre CR$ 300 e CR$ 500, eram pagas pela Itaipu, enquanto outras instituições, como a creche Casa da Criança no Rio de Janeiro, cobravam apenas CR$ 70. Essa realidade destaca a discrepância entre as escolas públicas e privadas, onde o Anglo-Americano, ao contrário de outras instituições, não enfrentava riscos de inadimplência. Denise Sbardelotto, professora da Unioeste, analisa que o projeto pedagógico de Itaipu, ao transferir a gestão das escolas para entidades privadas, era, na verdade, uma oportunidade para que essas instituições lucrassem com recursos públicos.
O Crescimento do Colégio Anglo-Americano
Antes da parceria com a Itaipu, o Colégio Anglo-Americano contava com apenas 500 alunos em suas unidades no Rio de Janeiro. No entanto, após a celebração do contrato, a instituição experimentou um crescimento exponencial de 2.800%, conforme relatado por Ney Suassuna. Este aumento extraordinário não apenas transformou a escola, mas também solidificou a presença do Anglo-Americano na educação brasileira, mudando sua trajetória para sempre.
Relações de Poder e Conexões Políticas
Ney Suassuna, que adquiriu o colégio pouco antes do contrato com a Itaipu, tinha raízes profundas no cenário político do Brasil, atuando no Ministério do Planejamento durante o regime militar. Sua relação com figuras influentes, como Roberto Campos, garante um olhar mais crítico sobre como o contrato foi estabelecido, sugerindo que a amizade e as conexões políticas desempenharam um papel crucial na entrega do prédio público à iniciativa privada.
Conclusão
O episódio envolvendo a Escola Politécnica de Foz do Iguaçu é um exemplo claro de como as decisões políticas e econômicas podem moldar o setor educacional. A entrega de uma escola pública à iniciativa privada não apenas destaca as desigualdades no acesso à educação, mas também levanta questões sobre a ética na gestão de recursos públicos. Este caso, que faz parte do projeto Perdas e Danos da Radioagência Nacional, revela as complexidades da educação durante a ditadura militar brasileira e suas consequências a longo prazo.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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