França avalia toques de recolher após fim de semana de protestos, saques e violência

França avalia toques de recolher após fim de semana de protestos, saques e violência

O governo da França pediu nesta segunda-feira (19) que autoridades locais adotem toques de recolher em algumas cidades e regiões, após um fim de semana marcado por tumultos, saques e confrontos durante protestos antigovernamentais. A medida ocorre em meio à pressão sobre o governo por falhas de segurança e pela escalada das manifestações que vêm abalando o país.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que não descarta a decretação de estado de emergência, mas avaliou que, neste momento, seria mais adequado impor restrições parciais e localizadas. Ele não informou quais localidades seriam atingidas e descartou um toque de recolher generalizado em Paris.

Governo promete restaurar a ordem

Em entrevista coletiva, Lecornu declarou que sua determinação para restabelecer a ordem era absoluta. O primeiro-ministro atribuiu parte dos episódios mais graves a grupos de extrema-esquerda e afirmou que haveria uma mobilização para provocar distúrbios profundos no país antes da próxima eleição presidencial.

França avalia toques de recolher após fim de semana de protestos, saques e violência
© REUTERS/Abdul Saboor/Proibida reprodução

A declaração foi contestada pelo candidato presidencial de extrema-esquerda Jean-Luc Melenchon. Em uma publicação no X, ele exigiu que Lecornu apresentasse provas das acusações. Caso contrário, disse Melenchon, o primeiro-ministro deveria se desculpar, permanecer em silêncio e deixar de estimular a tensão política.

Prisões, feridos e impacto no comércio

Cerca de 2,4 mil pessoas foram presas durante os distúrbios. Um manifestante morreu após sofrer uma parada cardíaca no sábado, enquanto quase mil policiais ficaram feridos nos confrontos.

A Federação do Comércio e do Varejo informou que quase 3 mil lojas foram afetadas pelos saques. A entidade afirmou que o setor, já enfraquecido por uma sucessão de crises, voltou a ficar na linha de frente dos prejuízos. Também pediu a suspensão das contribuições previdenciárias e dos impostos para as empresas atingidas.

Flames and smoke rise during civil unrest, the day after a national day of demonstrations against the cost of living and rising fuel prices, in Paris, France, October 18, 2026. REUTERS/Abdul Saboor
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Segundo Lecornu, o governo disponibilizará, a partir de terça-feira (20), medidas para permitir a suspensão temporária de contratos de trabalho nas empresas afetadas.

Protestos aumentam pressão sobre Macron

Os tumultos ocorreram depois de semanas de manifestações estudantis e seis meses antes da próxima eleição presidencial. O cenário expõe o descontentamento provocado pela fragilidade da economia e pelo crescimento da dívida pública francesa.

As tensões também atingem o presidente Emmanuel Macron no momento em que o governo precisa aprovar um projeto de lei orçamentária considerado essencial para controlar as finanças do país. Os ativos franceses tiveram desempenho inferior ao dos mercados europeus nesta segunda-feira, embora as perdas tenham sido mais limitadas do que em episódios recentes de instabilidade política.

Dia nacional de protestos estudantis na França 8 de outubro de 2026 REUTERS/Abdul Saboor
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O gabinete presidencial informou que Macron recusou a oferta de renúncia do ministro do Interior, Laurent Nunez. Em vez disso, determinou que o ministro trabalhe para encerrar as barricadas e os saques e seja transparente sobre as chamadas falhas de inteligência e de previsão que antecederam a violência.

Repercussão e próximos passos

A adoção de toques de recolher localizados será acompanhada de perto pelas autoridades, que precisam equilibrar a tentativa de conter novos episódios de violência com a continuidade das atividades econômicas e das mobilizações políticas. O governo ainda não detalhou a duração nem a abrangência das possíveis restrições.

A crise ocorre após a primeira vitória anunciada pelos estudantes em sua mobilização. O tema também foi abordado em reportagem sobre os custos dos protestos na França e em matéria sobre a decisão dos estudantes de manter a luta: França: estudantes prometem continuar luta após primeira vitória.

Links e documentos citados

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br