Conselho Industrial do Mercosul defende entrada em vigor do acordo com a União Europeia e maior integração regional  

Declaração conjunta foi apresentada por representantes industriais no Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, nesta quinta (29). Grupo pede mais diálogo entre setor produtivo e governo 

Foto: Gabriel Pinheiro/CNI O Conselho Industrial do Mercosul (CIM) divulgou, nesta quinta-feira (29), uma declaração conjunta com recomendações aos governos dos países do bloco para fortalecer a integração produtiva, ampliar a inserção internacional e aumentar a competitividade regional.

O documento, assinado por representantes das entidades industriais da Argentina, do Brasil, do Paraguai e do Uruguai, foi apresentado durante uma reunião do grupo realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, no Panamá.    

Na avaliação do Conselho, a integração econômica é fundamental para ampliar oportunidades de comércio e investimento, fomentar a inovação e promover o desenvolvimento sustentável, especialmente em um cenário global marcado por tensões geopolíticas, reconfiguração de cadeias produtivas e desafios da transição energética.   

“A declaração consolida a visão comum das nossas indústrias sobre a importância de fortalecer a integração regional, aprofundar diálogo com os governos e avançar em uma agenda externa que amplie o comércio, estimule investimentos e aumente a competitividade. 

Vale lembrar que no comércio intrarregional da América Latina, o Brasil se destaca como o principal exportador de bens para os demais países, o que atribui um papel estratégico na integração comercial da região”, afirma o líder da missão e diretor da CNI, Paulo Afonso Ferreira.    

Entre as prioridades apontadas está o avanço da agenda externa do Mercosul.

O Conselho Industrial reforçou o apoio à assinatura e à entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, além dos acordos com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura, e defendeu a intensificação do diálogo com o setor privado para definir prioridades nas negociações comerciais.    

A declaração também destaca a necessidade de aprofundar a integração regional, com ações voltadas à inovação, à sustentabilidade e ao fortalecimento da integração produtiva, incluindo a redução de barreiras ao comércio intrazona, a simplificação regulatória e a ampliação da participação das pequenas e médias empresas em cadeias de valor regionais e globais.  

“Acreditamos que consolidar esses avanços é fundamental para promover um crescimento econômico sustentável e aprofundar ainda mais a parceria estratégica econômica e social promovida pela integração entre nossos países, melhorando a competitividade de nossa região frente ao mundo. Estamos convencidos de que o diálogo permanente é a melhor ferramenta para alcançar esses objetivos”, diz a declaração.  

De acordo com o texto, os representantes das indústrias reafirmam o compromisso de atuar de forma coordenada com os governos do bloco, por meio de um cronograma de ações e metas concretas, para fortalecer a competitividade do Mercosul e melhorar sua posição no comércio internacional.   

Indústria brasileira quer ampliar presença na América Latina   

A reunião do Conselho Industrial do Mercosul faz parte da programação da Missão Empresarial ao Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, que começou na última terça-feira (27) e vai até esta sexta-feira (30).

Liderada pela CNI, a iniciativa reúne mais de 100 empresários brasileiros no Panamá para reforçar a presença e o protagonismo do setor produtivo nacional em um dos principais espaços de diálogo regional sobre crescimento sustentável, inclusão e competitividade.  

Consulta empresarial vai mapear desafios de mulheres latino-americanas no comércio exterior  

Ainda nesta quinta-feira (29), durante a reunião do Conselho Industrial do Mercosul, a CNI lançou uma consulta empresarial para identificar e entender os desafios que impedem o crescimento da participação feminina no comércio internacional, com foco na América Latina e Caribe.

A iniciativa, idealizada pelo Fórum Nacional da Mulher Empresária (FNME), pretende ampliar um mapeamento similar realizado no ano passado durante o B20 Brasil.  

Por meio da consulta, que será feita em parceria com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) e a OCDE, serão identificados gargalos e demandas de suporte para orientar políticas públicas e investimentos.

O FNME é uma iniciativa coordenada pela CNI para fomentar a liderança feminina, o empreendedorismo e a diversidade de gênero no setor industrial e empresarial brasileiro. 

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