O Boca Juniors voltou a justificar a fama de “terror” dos clubes brasileiros em confrontos decisivos. Na noite de terça-feira (20), os argentinos venceram o Vasco por 3 a 1, no Maracanã lotado, e avançaram à final da Copa Sul-Americana. O resultado encerrou o sonho vascaíno, apesar da vitória por 1 a 0 obtida pelo clube brasileiro no jogo de ida, na Bombonera.
Com a classificação, o Boca chegou à 19ª vitória em 27 duelos eliminatórios contra equipes do Brasil, incluindo finais. O aproveitamento argentino nesses confrontos é de 70,4%, uma marca que sustenta a tradição do clube em partidas decisivas diante dos brasileiros.
Boca amplia vantagem histórica contra clubes do Brasil
Nos últimos anos, Santos, Atlético-MG, Corinthians, Cruzeiro e Fluminense conseguiram superar o Boca em mata-matas. O Fluminense, inclusive, levou a melhor em uma decisão de Copa Libertadores. Ainda assim, os argentinos voltaram a impor sua força nesta Sul-Americana.
Antes do Vasco, o Boca já havia eliminado o São Paulo nas quartas de final. Depois de vencer por 1 a 0 em Buenos Aires, a equipe argentina empatou por 1 a 1 no Morumbis e garantiu a vaga. O triunfo sobre o Vasco também encerrou um longo jejum: o clube não vencia uma partida em território brasileiro desde 2010, quando derrotou o Internacional por 1 a 0, no Beira-Rio, em Porto Alegre.
A vitória no Maracanã também reforça uma sequência de atuações marcantes do Boca em solo brasileiro. Em 2003, o time derrotou o Paysandu por 4 a 2, no Mangueirão, após perder por 1 a 0 na Argentina, pelas oitavas de final da Libertadores. Naquele mesmo ano, venceu o Santos por 3 a 1 no Morumbi e conquistou o título continental. Em 2007, superou o Grêmio por 2 a 0 no Estádio Olímpico, em Porto Alegre, para levantar novamente a taça.

Vasco sofre virada no Maracanã
A realização da partida no Maracanã foi precedida por uma longa disputa judicial entre o Vasco e o consórcio formado por Flamengo e Fluminense, responsável pela administração do estádio. A definição do local levou cerca de três semanas e chegou a provocar uma ameaça da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) de transferir o confronto para o Paraguai.
Quando a bola rolou, porém, o Vasco sofreu um duro golpe logo aos quatro minutos. Em cobrança de escanteio pela esquerda, Lautaro Blanco encontrou o zagueiro Lautaro Di Lollo, que cabeceou para abrir o placar. O gol anulou rapidamente a vantagem construída pelo time brasileiro na partida de ida.
A situação vascaína piorou aos 33 minutos. Após Alan Saldívia afastar mal a bola no círculo central, Sebastian Villa lançou Miguel Merentiel nas costas da defesa. O atacante argentino finalizou na saída do goleiro Léo Jardim e fez 2 a 0, colocando o Boca à frente na soma dos resultados.
No segundo tempo, o Boca desperdiçou oportunidades em contra-ataques, enquanto as substituições do técnico Pedro Emanuel deram mais força ao setor ofensivo do Vasco. Marino Hinestroza e Brenner entraram nas vagas de David e Adson, e Puma Rodríguez substituiu Paulo Henrique.

A reação brasileira começou aos 20 minutos. Depois de um desarme do zagueiro Robert Renan, a bola chegou ao lateral Cuiabano, que cruzou pela esquerda. Puma Rodríguez apareceu na área e marcou para o Vasco, recolocando a equipe na disputa. Ainda assim, o Boca voltou a balançar as redes e confirmou a vitória por 3 a 1, resultado que garantiu sua presença na decisão.
Atlético-MG pode ser o adversário na final
O adversário do Boca na final poderá ser outro clube brasileiro. O Atlético-MG enfrenta o Montevideo City Torque nesta quarta-feira (21), às 19h, no horário de Brasília, no Estádio Centenário, em Montevidéu.
O Galo chega ao confronto decisivo com ampla vantagem, depois de vencer o jogo de ida por 3 a 0 na Arena MRV, em Belo Horizonte. Os mineiros podem perder por até dois gols de diferença e, ainda assim, avançar à final da competição.
Tradição que voltou a pesar
A eliminação vascaína ganhou contornos ainda mais dolorosos porque o clube havia conquistado uma vitória histórica na Bombonera. O triunfo por 1 a 0 tornou o Vasco apenas o oitavo time brasileiro a derrotar o Boca em seu estádio, em partidas oficiais.
A reação argentina no Maracanã, no entanto, manteve viva a imagem de um Boca capaz de crescer nos grandes confrontos, independentemente da fase atravessada. Mais uma vez, um clube brasileiro ficou pelo caminho diante dos argentinos em uma noite decisiva.
Links e documentos citados
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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